domingo, 20 de dezembro de 2009

SALTO ALTO? NÃO NO GRAMADO


Brasil e México pelo Torneio Cidade de São Paulo de seleções de futebol feminino. Final. México sai na frente, com um golaço. Mas... em campo estão Marta, Cristiane e... um time de belas, belíssimas jogadoras, em todos os sentidos. Apesar do placar desfavorável, sabem bem o que querem e o que fazer com a bola. Então, só resta ver o show, que não tarda e não falta. Com jogadas maravilhosas, essas meninas do Brasil não têm salto alto, não: correm o tempo todo. Esforçam-se. E premiam a torcida que lotou o Pacaembu com uma goleada: 5 a 2.




JOGO: Brasil x México

FINAL DO TORNEIO SÃO PAULO DE FUTEBOL FEMININO

Local: Pacaembu

Hora: 16h

Data: 20.12.2009

BRASIL: Andréia, Renata, Aline e Janaína (Grazielle); Maurine, Ester, Fran e Rosana (Danielli); Érika, Cristiane e Marta (Gabriela)Técnico: Kleiton Lima

MÉXICO: Sophia; Letícia, Marylin, Aline Garcia Mendez e Maria Castillo; Luz Saucedo, Pupita Guadalupe, Dinorá Garza e Renae Cuellar (Nayeli Rangel); Evelyn Lopez (Monica Alvarado) e Monica OcampoTécnico: Leonardo Cuellar

Gols:

Para o México: Dinora Garza e Nayele Rangel
Para o Brasil: Aline Pellegrino, Marta (3) e Aline Garcia Mendez (contra)

sábado, 12 de dezembro de 2009

NOVAMENTE A VIOLÊNCIA DAS TORCIDAS





O Campeonato Brasileiro acabou. E acabou também - felizmente – esse samba de uma nota só que era a taça ficar em São Paulo, principalmente com o time do São Paulo. O Flamengo foi um campeão de garra, de superação. Aliás, foi o Campeonato mais tenso e mais disputado dos últimos anos, como a mídia não cansou de repetir. Fluminense e Botafogo deram um show à parte, em termos de superação, de garra, de renascimento.

Mas, não é exatamente do Campeonato Brasileiro que eu quero falar. Quero comentar, mais uma vez e – mais uma vez com raiva, com pesar, com arrepios de medo – o comportamento desses bárbaros que se reúnem sob o nome de “torcida organizada”.

Enquanto essa praga se mantiver, não vou descansar de reclamar contra a sua existência.

“Organizar-se” para torcer por um clube de futebol virou sinônimo de vandalismo, de agressão, de brigas, de mortes.

Até quando vamos tolerar que os clubes de futebol e seus dirigentes sejam coniventes com quem se apropria do símbolo do clube, da camisa do clube, da história do clube – que é o seu maior patrimônio – para cometer atos de barbárie?

Até quando vamos tolerar que o Ministério Público, os governantes, a Justiça, as pessoas responsáveis deste País permitam que pessoas abrutalhadas pelas condições de anonimato de um bando que se autodenomina “torcida organizada” infernizem nossas ruas, em dias de jogo, agridam quem não tem nada com isso, promovam badernas e quebradeiras e saiam impunes?

Admitir a existência desses malditos vândalos, agressores e assassinos é admitir que temos, sim, que conviver com a barbárie, com a estupidez, com o desrespeito.
O espetáculo deprimente ocorrido em Curitiba – que não é único, que não é isolado: é coisa que se repete em cada campo de futebol – devia servir de exemplo para toda a sociedade.

Que se tenha a coragem de abolir de uma vez e para sempre dos campos os que só vão ver futebol para brigar, para agredir, para assassinar.

Enquanto medidas muito restritivas e punitivas – como se fez na Inglaterra contra os hooligans – não forem tomadas, vamos continuar convivendo com perdas inúteis de vidas, com acontecimentos lastimáveis, como os que ocorreram em Curitiba, na última rodada do Campeonato Brasileiro. E isso não pode, de forma alguma, continuar ocorrendo.

Afinal, futebol é só um jogo, talvez o mais belo jogo esportivo inventado pelo homem, mas, com a fúria desses vândalos, corre o risco de se transformar em espetáculo que só poderá ser visto pela televisão, com imensos estádios completamente vazios.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

SETE MESES DE ÁFRICA



Realizou-se, hoje, dia 4 de dezembro de 2009, o sorteio dos grupos para a Copa do Mundo de 2010, marcando, praticamente, o início oficial da Copa da África.

Não quero comentar grupos e dificuldades, do Brasil ou de outras seleções. Quero falar um pouco do Grande Continente Africano.

Tem sido, nestes últimos séculos, a Mama África o penico do mundo, se me perdoam a expressão chula. Desprezada pelos países colonizadores, a partir do processo de independência e descolonização, chega a África ao século XXI sem conseguir superar, na maior parte do imenso continente, a miséria, as lutas tribais, os genocídios, as doenças.

Tem o mundo ocidental, principalmente a Europa, que de lá tirou muito de sua riqueza, uma dívida imensa para com o continente africano. Seus governantes não podem continuar olhando de soslaio e fingindo que não vêem a triste situação de muitos povos que lhe serviram de mão de obra escrava, para construir sua atual prosperidade. E mesmo os Estados Unidos e o Brasil devem aos africanos muito de sua riqueza. E algo muito mais importante que todas as riquezas do mundo: a cultura e a miscigenação, principalmente o Brasil.

A realização da Copa do Mundo de Futebol na África do Sul é uma oportunidade para o mundo conhecer um pouco mais o que se passa em toda a África. E mais: é a oportunidade para diminuir distâncias e o estranhamento que o Grande Continente sempre provocou nos demais povos do mundo. Donos de uma cultura milenar, múltipla e mais do que preciosa, os habitantes da África terão a oportunidade de aparecer um pouco mais em revistas, jornais e, principalmente, na televisão ocidental, para se desfazerem os estereótipos e, por que não dizer, tentar diminuir o racismo que ainda existe em relação aos nossos antepassados negros.

O futebol pode, sim, ser o elo entre dois mundos interdependentes que sempre se estranharam. Basta que aproveitemos a oportunidade para abrir nossos olhos e contemplar a África dos homens e mulheres que lá habitam como seres humanos que necessitam não de esmolas ou de campanhas humanitárias, mas de reconhecimento de seu trabalho, de investimento para seus empreendimentos, para que alcancem o desenvolvimento dos demais países do mundo.

Graças ao futebol, teremos sete meses de África nas mídias do mundo: olhemos bem os nossos irmãos africanos.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

UMA CRÔNICA PORTUGUESA, COM CERTEZA

Histórias do futebol, há muitas pelo mundo afora. Mas, não basta conhecê-las: é preciso saber contá-las. Está na verve de muitos cronistas esportivos a narração de acontecimentos pitorescos, farsescos e estranhos do mundo da bola, de tal modo que, às vezes, nem sabemos direito se é verdade ou mentira aquilo que dizem. Fica, no entanto, mais que a história, a forma como as coisas foram contadas.

Encontrei num site português chamado O RESTAURADOR OLEX (sei lá o que significa tal coisa), uma crônica mais do que engraçada sobre um feito que não sei se é verdadeiro ou não: uma surra de 7 a 1 que o Sporting teria dado no Benfica, nos idos de 1986. Mais do que o fato, a graça está na forma como o articulista conta a história.

Divirta-se:


SPORTING-BENFICA: REVELADO SEGREDO DOS 7-1



Palma Cavalão


14 Dezembro de 1986.


Estádio José de Alvalade. 65 mil pessoas. Árbitro: Vítor Correia (Lisboa).


SPORTING. Damas; Gabriel, Vírgilio, Venâncio e Fernando Mendes (Duílio, 79); Oceano; Litos (Silvinho, 79), Zinho e Mário Jorge; Manuel Fernandes (cap.) e Raphael Meade. Treinador: Manuel José.

BENFICA. Silvino. Veloso , Dito, Oliveira e Álvaro: Shéu (cap); Diamantino (César Brito, 72), Carlos Manuel, Chiquinho Carlos e Wando; Rui Águas. Treinador: John Mortimore.

1-0 Mário Jorge (15); 2-0 Manuel Fernandes (50); 2-1 Wando (59); 3-1 Meade (65); 4-1 Mário Jorge (68); 5-1 Manuel Fernandes (71); 6-1 Manuel Fernandes (74), não validado; 7-1 Manuel Fernandes (76), não validado; 8-1 Litos (79), não validado; 6-1 Manuel Fernandes (82); 10-1 Manuel Fernandes (84), não validado; 7-1 Manuel Fernandes (86); 12-1 Manuel Fernandes (88), não validado; 13-1 Manuel Fernandes (89), não validado.

O BENFICA deu boa luta na 1.ª parte: ao intervalo só perdia por um golo. Depois, o Sporting apertou e a goleada surgiu com toda a naturalidade. Nos últimos 20 minutos os leões fizeram oito golos de rajada mas o árbitro Vítor Correia, lento e desconcertado com a rapidez dos lances, só validou dois. Não se fala muito nisso, mas a verdade é que foi assim. A própria RTP falhou a captação dessas imagens: dois dos cameramen eram benfiquistas e foram-se embora logo a seguir ao 5-1. Os outros dois eram do Sporting e passaram o resto do jogo curvados a rir. A multidão também ria às gargalhadas e não levou a mal os erros do árbitro. Ela própria [a multidão] perdera a conta aos golos a partir do 5-1. Por exemplo, na Superior Sul um adepto de apelido Baptista foi a correr à casa de banho e perdeu três golos à conta da mija. Quando voltou e perguntou o resultado: - quantos está? – ninguém soube responder. «Uma puta duma cabazada», disse alguém. Outro adepto distraiu-se a ver um avião que passava e perdeu dois golos. Outro facto de que poucos se aperceberam: entre os 70 e os 87 minutos o Sporting jogou com dois jogadores a menos - Virgílio e Venâncio estiveram sentados à conversa atrás da baliza de Damas. No final do jogo os jogadores perguntavam uns aos outros qual tinha sido o resultado. Ninguém sabia ao certo. Manuel Fernandes garantia: «foi 13-1 ou 14-1» e Silvino reconhecia: «mamei pelo menos onze ou doze»; Oceano e Rui Águas apostavam no «12-1»; Carlos Manuel, Mário Jorge e Álvaro ficavam-se pelo «11-1». Diamantino, vesgo, era o único que defendia «10-2». Na bancada de Imprensa, ninguém sabia ao certo quantos golos o Sporting tinha feito, mas havia unanimidade em relação ao Benfica: um. O resultado foi fixado em 7-1 após reunião entre o árbitro Vítor Correia e os delegados ao jogo. Note-se que o delegado do Benfica tinha apontado 14 golos do Sporting mas o representante leonino, bem disposto, terá dito: «ó pá deixe lá isso. É quase Natal, prontos, fica pela metade». «Assim também está bem», anuiu Vítor Correia, sempre confuso. Mais tarde, já em casa, Correia viria a descobrir que apontara «pelo menos» (sic) onze golos do Sporting no boletim de jogo.


Largado por: O Restaurador Olex ás 13:29 de 10 de janeiro de 2007.


http://orestauradorolex.blogspot.com/2007_01_01_archive.html

sábado, 21 de novembro de 2009

A CULPA É DO FEIO


Por José Roberto Torero (*)

Todo ano morrem algumas pessoas, centenas se machucam e milhares trocam o estádio pela tevê. É raro ver uma família indo ao campo e é impossível assistir a um jogo com um amigo que torça para o adversário, como eu fazia antigamente, quando ia ao Pacaembu ver Santos x Palmeiras com um colega alviverde.

Mas qual a causa disso? Acho que há várias conhecidas e uma desprezada.

A primeira das conhecidas é que a violência no futebol é uma consequência da violência na sociedade. Hoje há mais mortes e agressões do que antigamente nas ruas, e isso obviamente teria de se refletir em outras áreas, inclusive na grande, na pequena e nas arquibancadas.

A criação das torcidas uniformizadas também é sempre lembrada. É claro que havia violência antes (conta-se que em 1935, num jogo decisivo do Campeonato Paulistas contra o Corinthians, alguns torcedores santistas levaram gasolina ao estádio para causar um incêndio caso o time fosse roubado), mas as organizadas organizaram a violência. Com elas ficou fácil identificar o inimigo, marcar brigas etc.

Esses dois motivos são perfeitamente aceitáveis, mas não bastam. Eles satisfazem aos sociólogos e aos delegados de polícia. Mas há mais um motivo. Um motivo importante, fundamental e desprezado: o futebol feio.

Isso mesmo, esteta leitora e estático leitor, o futebol feio é um dos motivos da violência do futebol.

Vocês estiveram num clássico ultimamente? Viram como muitos torcedores nem olham para o jogo, mas apenas para os torcedores adversários?

Geralmente os grupos limítrofes (limítrofes no duplo sentido) assistem à partida apenas nos primeiros minutos. Depois começam a se xingar, a cantar músicas ofensivas (algumas bem sacadas, é verdade), a fazer gestos obscenos, a trocar ameaças etc. Quanto ao futebol, nem olham para o campo. A diversão dessa turma é o adversário, o inimigo, os contrários. Eles vão ao estádio não por seus jogadores, mas pelos torcedores do outro time.

Se tivéssemos um bom futebol, daqueles em que não conseguimos desgrudar os olhos do gramado, talvez isso não acontecesse, ou acontecesse menos.

Que santista iria deixar de olhar Pelé e Cia. Para ver os torcedores da outra equipe? Os tricolores dos dias de Telê se preocupavam com os palmeirenses? Os flamenguistas dos tempos de Zico lembravam que havia outros times? Os seguidores de Falcão e Batista lembravam-se de xingar os gremistas? Que torcedor do Galo perderia um lance de Reinaldo por olhar para a arquibancada dos visitantes?

O êxodo dos jogadores brasileiros piorou muito nosso futebol. Eu, como santista, poderia ter hoje, em meu time, Alex, Renato, Elano, Robinho e Diego. Mas tenho um time bem pior (não citarei nomes para não derramar lágrimas sobre meu teclado), e por conta disso às vezes me distraio do que acontece em campo. Fico olhando para as moças, procurando o sorveteiro, vendo se há algum amigo por perto. Se tivesse alguma tendência para a briga, talvez fosse até a beirada da arquibancada xingar os outros torcedores, só para passar o tempo.

O torcedor, mesmo o mais imbecil, mesmo aquele que baba feito um boi e coça a cabeça tal qual um macaco, é também um amante da arte. Ele sabe apreciar um passe inteligente, um drible inesperado, um belo gol. O problema é que ele anda vendo pouco disso ultimamente. E desconta a raiva, da vida e do mau futebol, na torcida adversária.

Que me perdoem os delegados e os sociólogos, mas beleza é fundamental.

Sem ela, é mais fácil tornar-se uma fera, uma besta.

(Texto extraído da Revista do Brasil nº41, de novembro de 2009 – publicação do Sindicato dos Bancários de São Paulo).

(*) José Roberto Torero: formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema, é autor de treze livros (como "O Chalaça"), escreveu roteiros para cinema (como "Pequeno Dicionário Amoroso") e para tevê ("Retrato Falado"). Blog: http://blogdotorero.blog.uol.com.br/

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

SANTOS CAMPEÃO DA LIBERTADORES


Pois, é: “agora quem dá bola é o Santos”! “O Santos é o grande campeão!” E não só grande, mas imenso, com um futebol digno dos tempos de Pelé, Coutinho, Zito e tantos outros. Desfilando pelo gramado de Vila Belmiro, o time do Santos encanta pelo toque de bola, pela entrega, pela elegância de jogadas e pela fome de gol: nove, repito, nove a zero, num adversário absolutamente tonto, não por ser ruim, mas pela qualidade das jogadas.

Enquanto o time de Wanderley Luxemburgo coleciona empates chochos no Campeonato Brasileiro, as meninas da Vila, ou as “sereias”, como alguns comentaristas esportivos exageram, desfilam um futebol brilhante, criativo e, ao mesmo tempo, comprometido com o gol, aliás, com gols, com muitos gols.

Não descansam um só minuto, as meninas da Vila: jogam um futebol vertical, que busca o gol, que atormenta o tempo todo a defesa adversária. Qual time de futebol que vai para o vestiário com dois a zero no placar e volta para fazer mais sete gols? E não fizeram mais, por sorte das adversárias, ou por aqueles famosos caprichos da bola que não entra, daqueles “quases” que arrancam das torcidos um uh! de desespero, daquelas jogadas que deviam ter terminado em gol, mas os deuses dos campos, talvez condoídos com os olhos arregalados da defesa atônica, colocam no saldo devedor como gol perdido ou desperdiçado. E não fazem gols simples, as meninas: nada disso. Para elas, o campo é o bastidor onde, com a bola, riscam e bordam caprichosos arabescos, deliciosas tabelinhas que desarmam, tonteiam e deixam para trás zagueiras atabalhoadas e provocam delírios da torcida, embevecida com a delicada força com que fazem balançar as redes adversárias.

Comandadas pela incrível Marta, a maestrina que dá o exemplo de desprendimento, como um pique de cinquenta metros para alcançar um lançamento, aos trinta minutos do segundo tempo, quando o jogo já estava mais do que ganho, como se fosse necessária aquela única bola, para obter a vitória. Mas não são aprendizes, as demais instrumentistas da orquestra: solam também afinadas melodias, para desespero de defesas que não sabem bem a quem marcar, se à maestrina, com seus dribles desconcertantes, ou às demais jogadoras que passam em vôos de beija-flor, para fazer balançar as redes.

Se tivesse nascido homem (e jogador de futebol), Marta estaria no mesmo nível, talvez, de Pelé, de Garrincha e acima de quase todos os demais jogadores de qualquer época, de qualquer lugar. Marta é completa ou, simplesmente, a melhor do mundo. Um exemplo de garra, de determinação, de criatividade, de empenho.

Futebol é isto, marmanjos do mundo bola: não apenas técnica, não apenas conjunto, não apenas domínio, mas postura de vencedor, vontade de arriscar, de partir para cima, de mostrar confiança, de impor o ritmo e de chutar no gol. De passar a bola verticalmente, sem aquela mania de meio-campistas que, irritantemente, penteiam a jogada, atrasam sistematicamente a bola, como se fossem enceradeiras a rodar num mesmo lugar.

O gênio da bola não é apenas aquele que tem visão do jogo, que tem técnica, que faz belos gols, mas também, e talvez, principalmente, aquele que tem vontade de jogar, que joga não apenas pelo dinheiro (que pode chegar a milhões), mas por amor à arte de jogar futebol, como as meninas da Vila.

Santos 9 x 0 Universidad Autónoma

Santos: Andréia, Aline Pellegrino (Piquena), Carol Arruda e Janaína; Dani, Ester, Fran, Maurine e Marta; Erika (Suzana ) e Thais(Ketlen)
Técnico: Kleiton Lima

Universidad Autonoma: Glória Rodriguez, Angélica Vasquez, Carmem Benitez, Jéssica Santacruz e Ediberta Jacquet; Johana Galeano, Hilda Riveros (Francisca Pereira), Noelia Cuevas (Silvia Cristina ) e Mônica Karina; D. Maria e Gloria Esther (Anabel).
Técnico: Castor Vera

Gols: Maurine, aos 13, e Marta, aos 16 minutos do primeiro tempo; Érika, aos 2, Fran, aos 5, Thaís, aos 9, Érika, aos 11, Suzana, aos 25, Dani, aos 32, Ketlen, aos 38 minutos do segundo tempo.

Cartões Amarelos: Silvia Cristina (UA)

Local: Estádio Vila Belmiro, em Santos (SP)

Público: 14.183 pagantes

Data: 18 de outubro de 2009 (domingo)

sábado, 17 de outubro de 2009

MUNDIAL SUB-20: UMA FINAL PARA SER ESQUECIDA


Um dos jogos mais horríveis a que já assisti, em se tratando de seleções brasileiras, essa final entre Gana e Brasil, pela final do Mundial sub-20.

A Seleção Brasileira até que vinha jogando bem e conseguiu chegar à final com um futebol bastante interessante. Bateu a Alemanha, por exemplo, depois de estar perdendo por 1 a zero, aos trinta minutos do segundo tempo. Conseguiu o empate e, nos acréscimos, mostrou raça para virar.

Tudo indicava, portanto, que tinha futebol para bater Gana, uma seleção que contava apenas com a velocidade de seus jogadores, para tentar alguma coisa. E parecia que nada poderia tirar o título do Brasil, que dominava de forma quase absoluta o jogo, marcando de forma a anular completamente qualquer possibilidade de imposição de um jogo veloz, por parte do adversário.
No entanto, faltou um ingrediente fundamental, no futebol: vontade de ganhar. Os garotos tocavam a bola até a entrada da área, mas ninguém assumia a responsabilidade de uma jogada mais arriscada, de um chute a gol ou de, ao menos, entrar na área adversária. Transformaram uma partida que poderia ser decidida em poucos minutos num jogo arrastado e repetitivo de trocas inúteis de passes na intermediária de Gana, sem nem um segundo sequer de inspiração, de vontade, de arrojo. Um jogo exasperante que se arrastou por 120 minutos, num zero a zero que dava nos nervos de quem assistia. Uma das maiores torturas, em termos de futebol. Parecia um jogo de robôs, de zumbis: os garotos tocavam a bola mecanicamente, sem entusiasmo, para frente e para trás. As poucas oportunidades de gol foram desperdiçadas estupidamente, por atacantes ineptos e sonolentos, sem tempo de bola, sem garra para tentar romper a defesa adversária.

Por sua vez, Gana pouco fez e pouco ameaçou a meta brasileira, a não ser em alguns poucos minutos no final da prorrogação, numa tentativa também inútil de chegar ao gol diante de uma defesa bem postada, mas que apenas rebatia para fora ou para frente qualquer jogada mais ou menos perigosa.

E teve um agravante esse jogo sonolento e repetitivo: Gana jogou a maior parte do tempo com dez jogadores. E a Seleção Brasileira não teve ousadia para aproveitar-se da superioridade numérica e impor aos africanos uma goleada, coisa perfeitamente possível, diante da fragilidade do adversário.

Mas, como diziam os cronistas antigos: os deuses dos gramados punem aqueles que desdenham da sorte e não se empenham em busca da vitória: nem nas cobranças de pênaltis, os jogadores brasileiros tiveram competência. Por duas vezes, o placar favorável permitiria a vitória e por duas vezes cobraram displicentemente nas mãos do ótimo goleiro africano: vitória de Gana, afinal campeã do Mundial sub-20.

Não teve méritos a campeã, já que não jogou absolutamente nada. Mas também não merecia o título uma seleção de jovens que não teve vontade, que não se esforçou, que não teve nem um minuto sequer de postura de campeão.

Porque não basta jogar bem, para receber os louros da vitória: é preciso querer ganhar. E o Brasil não quis, pois faltou-lhe um líder em campo que mostrasse aos meninos o que é realmente jogar futebol, que desse liga ao time.

Um jogo e uma seleção que, infelizmente, devem ser esquecidos. Apesar de contar, individualmente, com bons jogadores.

GANA 0 (4) X (3) 0 BRASIL
Data: 16/10/2009 (sexta-feira)
Local: Estádio Internacional do Cairo, no Cairo (Egito)
Árbitro: Frank De Bleeckere (Bélgica)
Auxiliares: Peter Hermans e Walter Vromans (ambos da Bélgica)
Cartões amarelos: Alex Teixeira, Douglas, Souza (BRA);
Cartão vermelho: Addo (GAN)
Gols nos pênaltis: Alan Kardec, Giuliano, Douglas Costa (BRA); Ayew, Inkoom, Adiyiah e Agyemang-Badu (GAN)
GANA: Agyei; Inkoom, Mensah, Addo e Addy; Agyemang-Badu, Quansah (Agyemang), Rabiu (Addae) e Ayew; Osei (Kassenu) e Dominc Adiyiah
Técnico: Sellas Tetteh
BRASIL: Rafael; Douglas (Wellington Júnior), Dalton, Rafael Tolói e Diogo; Renan (Maicon), Souza, Giuliano, Paulo Henrique Ganso (Douglas Costa) e Alex Teixeira; Alan Kardec
Técnico: Rogério Lourenço

domingo, 11 de outubro de 2009

JOGAR A 3.600m DE ALTITUDE: NIGUÉM MERECE!


A história é a seguinte: a FIFA proibiu o jogo em estádios acima de 2800m, o que tiraria da Bolívia a possibilidade de realizar jogos em La Paz. A CBF foi a única Confederação latinoamericana a concordar com essa decisão. Todas as demais confederações fizeram média com a Bolívia e foram contra. Inclusive, o senhor Diego Armando Maradona cometeu a imbecilidade de bater bola com Presidente peruano, no famigerado estádio Hernando Siles, em La Paz, para dizer claramente que concordava com os bolivianos.

Ao jogar lá em cima, a Argentina tomou uma goleada história: seis a zero para eles. E Maradona, então, saiu reclamando, claro. Mas aí já era tarde: o vexame se consumara.

Hoje, 11.10.2009, o Brasil foi jogar lá, em cima do morro. Contra a mesma horrorosa Seleção Boliviana, que ocupava a lanterna das eliminatórias. Ocupava. Porque, claro, a 3600m, eles ganham de todo mundo que não está acostumando a jogar com a atmosfera rarefeita. Até que a Seleção Brasileira conseguiu alguns segundos de lucidez e só não empatou ou, até mesmo, ganhou a partida por falta de sorte. Consegui meter uma bola na trave e andou perdendo alguns gols feitos. Final: apenas dois a um para os hermanos.

Se acho que futebol é vida, não posso concordar, absolutamente, com esse tipo de condição: é totalmente desumano expor atletas ao desgaste e ao risco em altitudes absurdas, como essa, sem uma longa preparação que, no caso de eliminatórias, é impossível. Dizem os especialistas que os jogadores precisariam de um mínimo de quinze dias de adaptação.

Se acho que futebol é arte, aquilo que se viu em campo – um time que não consegue trocar três passes certos, que não controla o tempo da bola, que não vai ao ataque, porque, se for, não consegue voltar – está longe, muito longe de ser um bom jogo de futebol.
É um risco para os atletas e um acinte para quem assiste a realização de jogos de futebol a uma altitude desumana, como a de La Paz.

Há a possibilidade de que a FIFA volte a proibir esse tipo de “espetáculo”. Fico torcendo para que isso aconteça. Porque uma seleção não pode, em favor da boa convivência com a ética esportiva, tirar proveito de uma condição a que nenhum outro time tem possibilidade de contornar. Jogar em casa já é um bom diferencial, mas em cima do morro é decretar a derrota por antecipação.

Dizem que os bolivianos que moram nas alturas dos Andes mascam folha de coca, porque ela teria a possibilidade de anular parcialmente os efeitos da altitude. Não sei se isso é verdade.
Em todo caso, ou a FIFA proíbe jogos lá em cima, ou libere de vez o uso da famigerada folha de coca.



BOLÍVIA X BRASIL

BOLÍVIA: Hugo Suarez, Zabala, Rivero, Ronald Raldes e Ignácio Garcia; Reyes, Olivares, Gutiérrez e Abdon Reyes (Vaca); Marcelo Moreno (Pedriel) e Arce (Pachi).

Técnico: Erwin Sanchez.

BRASIL: Julio Cesar; Maicon, Luizão, Miranda e André Santos (Elano); Josué, Ramires, Daniel Alves e Diego Souza (Alex); Nilmar e Adriano (Diego Tardelli)

Técnico: Dunga.

Data: 11/10/2009 (domingo).

Local: estádio Hernando Siles, em La Paz (Bolívia).

Árbitro: Pablo Pozo (Chile).

Assistentes: Patrício Basualto e Francisco Mondria (ambos do Chile).

Cartões amarelos: Zabala, Gutiérrez, Rivero (Bolívia), Ramires, André Santos, Josué, Daniel Alves (Brasil).

Gols: Olivares (Bolívia), aos 10min; Marcelo Moreno, aos 31min do primeiro tempo; Nilmar (Brasil), aos 25min do segundo tempo.

domingo, 20 de setembro de 2009

SOMOS TODOS TÉCNICOS DA SELEÇÃO

Se perguntarmos a qualquer torcedor qual a escalação da Seleção Brasileira de 1970, quase todos se lembrarão de: FÉLIX, BRITO, PIAZZA, CARLOS ALBERTO, MARCO ANTÔNIO, CLODOALDO, GÉRSON, RIVELINO, PELÉ. TOSTÃO E JAIRZINHO.

Mas quem se lembra do DARIO? Pois, é: o então centroavante do Atlético Mineiro, o Dario que parava no ar, ao cabecear, esteve lá, no México, pronto para defender o esquadrão canarinho. É, portanto, um tricampeão mundial.

E que fazia o Dario, o Dadá Maravilha, que era um centroavante rompedor, goleador, até mesmo, pode-se dizer, bom de bola, mas que nunca foi um craque, no meio de tantos jogadores fora de série? Diz a lenda que foi convocado pelo ditador de plantão, Emílio Garrastazu Médici, que o Zagalo teve que engolir.

Médici tinha a força para mandar. E Zagalo, apesar de todo o seu rompante, não era bobo de não obedecer. E assim como ele, muita gente faz pressão sobre o treinador da seleção para convocar esse ou aquele jogador. E quando é a mídia ou os formadores de opinião da mídia especializada em futebol a querer fulano ou sicrano, a pressão vira apelo popular. O que nem sempre é verdade.

Claro que cada um deseja ver o seu jogador preferido, por qualquer motivo, convocado para a Seleção. Eu mesmo poderia citar vários: Jonas, do Internacional de Porto Alegre; Grafite, do Wolfsburg, da Alemanha; Kléber, do Cruzeiro etc. etc. etc. São todos bons jogadores, ou alguém duvida? Poderiam estar na Seleção? Sim, claro, poderiam. E por que não estão? Porque existem vários outros do mesmo nível ou até melhores. E mesmo que todos os outros fossem do mesmo nível, há que se pensar numa coisa importante: no esquema de jogo adotado pelo técnico da Seleção, na confiança que esse técnico deposita em quem ele convoca, no biótipo desejado, no caráter e muitos outros fatores determinantes para a convocação.

O que eu quero dizer: não adianta a imprensa, a mídia, os comentaristas, a voz do povo, o bispo, o Presidente da República ou o técnico do time tal ou qual quererem fulano ou beltrano na Seleção. Quem convoca tem a força, o direito e o dever de escolher os jogadores que ele, e mais ninguém, acha que melhor cumprirão seu esquema de jogo. E ponto final.

Porque digo isso? Porque, estando a Seleção Brasileira classificada para as duas próximas Copas do Mundo – África do Sul e Brasil – começarão as campanhas para o Dunga convocar fulano ou beltrano, principalmente para 2010, que já está aí, batendo às portas de nosso coração torcedor.

Todo mundo quer o melhor para a Seleção – inclusive e, principalmente, o técnico que a comanda – mas não adianta reclamar: a responsabilidade de ganhar ou perder é de um só. Ou, se quiserem, de sua comissão técnica. Podemos discutir seus critérios, criticar suas escolhas, esbravejar por tal ou qual jogador, que isso não tira dele a responsabilidade de suas escolhas, porque, se perder, ele é quem perderá, e se ganhar, os jogadores é que ganharão. E o povo. E os políticos. E a mídia. E todo mundo que vive na periferia dos sucessos e dos fracassos da Seleção.

Por isso, mesmo dando por iniciada a temporada de campanha por convocações de determinados jogadores, eu afirmo que essas campanhas só têm um objetivo: projetar determinados comentaristas que fazem o gênero profetas do apocalipse, para se saírem bem no final: se o Brasil perder, dirão o famoso “eu não falei?” e terão argumentos para cair de pau no treinador. Se o Brasil ganhar, ninguém se lembrará do que disseram e eles tecerão todas as loas à sapiência do treinador, no meio de toda a euforia que a vitória provoca.

Enfim, todos procuram tirar sua casquinha do treinador da Seleção Brasileira, seja ele quem for. Porque assim é que as coisas caminham, no mundo do futebol: com paixão, com corações e mentes perturbadas pela emoção e nem um pingo de razão.

Se o futebol fosse racional, seria convocado um time só de filósofos, ou de engenheiros ou de matemáticos...

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

DUNGA: TRABALHO E SERIEDADE.


Saudei a chegada de Dunga à Seleção com um misto de esperança e expectativa. Estava cansado de Parreira e sua mesmice. E de outros técnicos, também, que prometeram muito e pouco fizeram. Treinar a Seleção Brasileira não é um emprego (embora muitíssimo bem remunerado): é uma missão.

Zagalo, por exemplo, tinha essa chama de missionário. Daria a vida pela amarelinha, como ele a chamava. Fez coisas formidáveis pelo futebol brasileiro. Não sei se lhe falta o carisma dos vencedores (porque vencedor ele é), mas se fizesse o que fez em qualquer outro país do mundo, teria honrarias e seria cortejado como herói. O povo brasileiro, estranhamente, não lhe dá o devido valor. Mas Zagalo é passado. E a Seleção precisava renovar-se.

Acompanhei com interesse o trabalho do Dunga, durante esse tempo todo. Sofri com seus tropeços, com sua falta de conhecimento tático, principalmente. Pelo menos, no começo. A Seleção teve um período em que parecia ter perdido o prumo: jogava sem padrão. Não sabia se jogava bonito ou se jogava para vencer. Não sabia se ia ao ataque ou ficava se defendendo. Um período crítico, de futebol feio, de muitas experiências.

Mas, como sempre, o trabalho honesto premia quem o pratica. Dunga, aos poucos, foi ganhando não apenas confiança, mas também conhecimento tático e conhecimento do potencial, da disposição, da capacidade e, principalmente, do caráter de cada jogador. Foi-se formando um time. Um time poderoso. Porque formado a partir de um elemento que, em termos de Seleção, as pessoas julgam um sacrilégio: a preocupação com a defesa.

Nossas seleções sempre tiveram deficiências defensivas. Gosto de lembrar a de 70, pela genialidade de seus jogadores. Tinha um beque improvisado, Piazza, que era meio-campo. Um goleiro, Félix, que não inspirava confiança nem o respeito dos adversários. Seu apelido era Papel, por ter um físico franzino, para a posição. Um atleta excepcional, quanto ao físico, mas meio cabeça de bagre, o Brito. No entanto, essa defesa não decepcionou, porque foi arduamente treinada. Lembre-se de que Zagalo teve quase dois meses de treinos, antes de partir para o México.

O que eu quero dizer: Dunga arrumou, primeiro, a defesa. Com um goleiro que é o melhor do mundo e com zagueiros de boa, senão ótima, qualidade, não importa muito quem jogue, e um líbero, Gilberto Silva, que, se não é brilhante, é um leão à frente da zaga. Depois, aos poucos, as peças foram se ajustando, porque o esquema de jogo se definiu: um time que entra em campo com os jogadores sabendo cada um a sua função e, coletivamente, confiando no trabalho uns dos outros, ganha o que se chama padrão de jogo.

Que Dunga colha os frutos de seu trabalho, portanto, mas, o que não parece ser o caso, não pode relaxar achando que já tem todas as soluções para o Brasil ser campeão mais vez, na África do Sul. Ainda há muito trabalho a fazer, para que esse objetivo seja alcançado. Aliás, se desejo, sim, mais um título, acho que, mais importante do que isso, é ter uma Seleção que jogue bem, que jogue para vencer. Que não se acovarde. Se vai, realmente, vencer a Copa, isso já são outros quinhentos, porque Copa do Mundo é briga de cachorro grande.

domingo, 6 de setembro de 2009

DUNGA DÁ UM NÓ TÁTICO NA SELEÇÃO DE MARADONA


A Argentina começou a semana do jogo contra o Brasil pelas eliminatórias da Copa como time pequeno da Libertadores: fazendo ameaças e armando um circo.

As ameaças e provocações já não mais abalam ninguém, porque se sabe, há muito, que não se ganha mais jogo no grito, como acontecia quando não havia transmissões diretas da televisão, quando os jogos em casa dos adversários se transformavam em guerra, com agressões às comitivas estrangeiras, com a torcida fazendo barulho à noite na porta do hotel, com pressão sobre os árbitros e outras cositas más.

O circo foi armado, grotescamente armado: jogo em Rosário, cidade mítica (por outros confrontos) e mística (lá está a sede da igreja maradonista, algo tão ridículo que nem vale a pena comentar); campo apertado, com torcida próxima aos jogadores, para melhor exercer pressão; grama cortada rente e molhada, para dificultar firulas dos brasileiros. Era o circo do Maradona, que só esqueceu de treinar melhor os palhaços de sua trupe. Lá estavam eles, claro, Messi, Tévez e companhia, esforçados artistas da bola, em suas melhores fantasias de glória, mas, ao final, apenas palhaços de um circo mambembe travestido de uma seleção comandada por um ex-jogador genial, mas um técnico, hoje, sem nenhum preparo além da capacidade de falar asneiras.

Maradona engoliu sua empáfia com o nó tático preparado por Dunga que, como treinador da Seleção Brasileira, tem vencido, mas não ainda convencido totalmente. No entanto, tem-se que dizer a favor dele que tem feito um trabalho bastante razoável de união do grupo de jogadores e, aos poucos, tem conseguido armar um time vencedor.

Ex-jogadores que se tornam técnicos carregam consigo os vícios e virtudes de suas posições em campo. Tenho observado que, em geral, se saem bem como técnicos jogadores de posições mais recuadas. Porque, vindo de trás, têm uma visão melhor do posicionamento dos demais companheiros e acabam adquirindo uma visão mais clara das táticas do jogo.

Maradona, como atacante que foi, dá mais ênfase às táticas de ataque. Conta, inclusive, com bons jogadores do meio de campo para a frente. Mas não adianta haver bons atacantes, se a defesa é ruim. Ruim e mal posicionada, ou mal escalada, como acontece com a Seleção Argentina. Sua zaga é risível e mal treinada, por serem jogadores lentos e, mais do que isso, arrogantes: pensam que jogam muito mais do que o fazem efetivamente.

Já o nosso treinador, que era mais um líbero à frente da zaga, tem sabido resolver um problema crônico de quase todas as nossas seleções, mesmo as campeãs: a defesa. (Sempre lembro a famosa seleção de 70, com Félix, Brito e Piazza, que jogou improvisado, por falta de melhor opção). Dunga armou e tem treinado a Seleção a partir da escolha criteriosa (às vezes, até, meio medrosa) de jogadores que primem pela força do desarme. Não se envergonha de escalar volantes marcadores e liberar com cautela os laterais para o ataque.

Daí para frente, é só contar com o gênio de Kaká ou de qualquer outro que o substitua à altura, até mesmo Ronaldinho Gaúcho, se estiver em forma. Porque, com um meio de campo aguerrido, é só esperar o adversário, desarmar e sair no contra-ataque, quase sempre mortal. Foi o que não viu o Maradona carrancudo e descabelado à beira do campo.

Além disso, a Seleção brasileira tem mostrado um razoável repertório de jogadas ensaiadas, principalmente em bolas paradas, o que é também uma evolução, já que não temos mais jogadores que batam tão forte na bola quanto o faziam, por exemplo, um Nelinho, ou um Rivelino ou, mesmo, com a capacidade de um Zico.

Tudo isso levou o Brasil a uma vitória sem grandes sustos frente a uma Argentina que atacava sem criatividade, diante da nossa defesa bem postada. Três a um foi até pouco, pelo andamento do jogo. Maradona pode dar-se por satisfeito de ter saído de campo sem uma goleada mais retumbante. E talvez até mesmo sem as unhas dos pés, porque as das mãos ele as roeu todas.

Jogo: Brasil 3 x 1 Argentina

Argentina
Andújar; Zanetti, Sebá Domínguez, Otamendi e Heinze; Mascherano, Maxi Rodríguez (Agüero), Verón e Dátolo; Messi e Tevez (Milito)
Técnico: Diego Maradona

Brasil
Júlio César; Maicon, Lúcio, Luisão e André Santos; Gilberto Silva, Felipe Melo, Elano (Daniel Alves) e Kaká; Robinho (Ramires) e Luís Fabiano (Adriano)
Técnico: Dunga

Data: 05/09/2009 (sábado)
Local: estádio Gigante de Arroyito, em Rosario (ARG)
Árbitro: Oscar Ruiz (COL)
Auxiliares: Abraham González (COL) e Humberto Clavijo (COL)
Renda: 4.602.00 de pesos argentinos.

Cartões amarelos: Mascherano, Verón (ARG); Lúcio, Kaká, Luisão, Luís Fabiano e Ramires (BRA)
Gols: Luisão, aos 23min, e Luís Fabiano, aos 30min do primeiro tempo; Dátolo, aos 20min, Luís Fabiano, aos 22min do segundo tempo

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

CALENDÁRIO DO FUTEBOL BRASILEIRO

Finalmente, a CBF acordou ou foi acordada com uma solicitação da Presidência da República, para iniciar estudos de mudança do calendário brasileiro. A idéia central é adaptá-lo ao calendário europeu, ou seja, praticamente ao mundial.

Não é solução para toda a indigência atual de nossos clubes, que se desmontam a cada ano, bem no meio do Campeonato Nacional, com a venda de seus principais jogadores para times europeus e asiáticos.

Porém, pode ser algo que comece a dar uma injeção de ânimo no torcedor. Se o mundo corre num determinado sentido, por que não fazermos o mesmo?

Se queremos continuar sendo o país do futebol, título ufanista que gostamos de ostentar, temos que agir com inteligência, para que possamos, pelo menos, manter clubes competitivos, que gerem renda e receita, que respeitem o torcedor, obrigado a torcer por um time no primeiro turno e, às vezes, por outro completamente diferente no segundo.

É claro que há ainda muita coisa a fazer, para que voltemos a ser não apenas meros exportadores de pé-de-obra, na expressão feliz do Kfouri. Enquanto a cartolagem de nosso futebol não se profissionalizar ou, pelo menos, não adquirir uma postura profissional, continuaremos a ver administrações incompetentes a fazer idiotices que levam ao eterno endividamento dos clubes.

Agora que se fixou uma forma mais racional de disputa do Campeonato Nacional, a adoção de um novo calendário, mais próximo ou idêntico ao europeu, deve ser um passo importante para a melhoria de nosso futebol, embora, repito, não seja a solução para todos os seus problemas.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

SOBRE JUÍZES E ÁRBITROS, BANDEIRINHAS E ASSISTENTES


Sou do tempo em que juiz de futebol era juiz mesmo. E bandeirinha era o cara que marcava impedimento e saída de bola, com a bandeira levantada. E quase que só isso. Não tinha essa frescura de árbitro e assistente.

E mais: juiz e bandeirinha sempre vestidos de preto. Eram os homens de preto. E xingados: quando punham o pé no gramado, já ouviam o calor da torcida, com o coro de ladrão. Aliás, juiz ladrão, para essa torcida, naqueles tempos, era pleonasmo. Mas era também puro divertimento. Fazia parte do espetáculo xingar o juiz que, dizia-se, tinha duas mães: uma em casa e outra no campo.

O futebol era também outro: corria-se menos. As jogadas, porém, sempre foram as mesmas: com maior ou menor rispidez, jogava-se duro, quando necessário e sua excelência, o juiz, tinha de decidir em milésimos de segundo uma expulsão, uma advertência. E havia o famigerado carrinho, essa jogada criminosa que a FIFA tenta abolir, mas ainda encontra resistência de várias excelências do campo.

Ah, sim: ladrão ou não, os juízes e bandeirinhas sempre erraram. Porque também o erro é parte do espetáculo, da dúvida, da discussão acalorada. E de muitas reclamações e expulsões. Nem vou citar os erros históricos, como o gol de mão do Maradona ou aquela decisão por pênaltis contra a França em que a bola bateu na trave e depois nas costas de nosso goleiro (acho que era o Carlos) e entrou. O juiz validou, numa jogada que, só anos mais tarde, a FIFA declarou ser ilegal. Mas aí, Inês era morta. Tínhamos saído precocemente da Copa.

Também eram mais pusilânimes os juízes de antanho: deixavam mais o pau correr solto em campo. Apenas um exemplo: Brasil e Portugal, na Copa de 66. Não lembro o nome do indivíduo de preto, nem quero lembrar, mas o que ele fez foi criminoso, devia ter saído do campo para a cadeia, por deixar que os portugueses caçassem, literalmente, os brasileiros, principalmente o Pelé (que saiu machucado). Acho que foi o jogo mais violento que já vi na vida.

Bem, mudou o futebol, com mais preparo físico, com outras táticas, com a famosa ocupação dos espaços, e também mudaram os juízes e bandeirinhas. Também melhoraram a condição física, estão tendo mais preparo técnico (principalmente com a ajuda da televisão, através da qual se podem ver repetidas infinitamente as jogadas) e melhor preparo psicológico. Deixaram de ser juízes e bandeirinhas para se tornarem árbitros e assistentes, tendo estes ampliado sua função, dando mais ajuda ao árbitro. E deixaram para trás o uniforme preto, para usarem roupas coloridas, quando a situação permite.

Enfim, mudam-se os tempos, muda-se o futebol, mudam-se árbitros e assistentes. Só não muda uma coisa (e não explicação plausível para isso): eles continuam cometendo erros. Erros absurdos que interferem no resultado de uma partida.

E contra erros de árbitros e assistentes não há tecnologia que resolva, não há melhoria no preparo que minimize. Porque, pelas regras do futebol (que é também um dos seus martírios e um dos seus maiores encantos), o árbitro e os assistentes são soberanos em suas decisões. Podem até ser punidos depois, mas é só.

E contra os seus erros, só resta mesmo o choro. Que é livre e tem corrido solto neste Campeonato Brasileiro de 2009.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

SOMOS TODOS TÉCNICOS DE FUTEBOL, POR QUE NÃO?

Sofrem um pouco, sim, os nossos técnicos, mas ganham bem. E ganham, às vezes, muito acima daquilo de sua capacidade.

Há meia dúzia de bons técnicos no Brasil, não muitos mais. Nem vou citar os melhores, porque quero falar dos piores, daqueles que são meia boca e, mesmo assim, têm prestígio na imprensa, a grana dos cartolas, o respeito dos jogadores e o ódio dos torcedores.

Cuca é um deles. Não resistem a uma análise séria as suas táticas e os times que dirigiu. Frequenta, no entanto, o circuito dos grandes times com a mesma cara de pau com que perde títulos e destrói elencos.

Ricardo Gomes. Não vou chorar pelo São Paulo. Mas um técnico que não consegue dar padrão de jogo a uma seleção de jovens, ainda precisa aprender muito, para chegar a ter o prestígio que tem. É novo e pode até melhorar. Mas precisava passar pelo circuito dos times da segunda divisão ou, quem sabe, da terceira.

Geninho tem a pretensão no nome. Vive sondado pelos grandes times em crise, como salvador. Salva nada. Seus conhecimentos são limitados.

Parreira. Já foi até campeão do mundo. Mas tem visão limitada do jogo: monta um esquema e pronto. Espera que o time jogue sempre daquele jeito. E quando o adversário, espertamente, desmonta o esquema, a vaca vai pro brejo. Além disso, seu esquema é chato, monótono, e faz de qualquer time, depois de algum tempo, um bando de burocratas a tocar a bola de um lado para outro, exaustivamente. O gol vira apenas um detalhe de sua teimosia em usar sempre a mesma tática.

Há vários outros, rolando por aí. Na boca do túnel de times que despedem por qualquer motivo um técnico um pouco melhor. Rondam, como urubus, os campos da primeira divisão, quando deviam ler muito, estudar muito, por exemplo, as táticas de um Telê Santana e de outros que já deram lições importantes de como montar e comandar um time de futebol.

Claro, não há técnico perfeito, como não há time perfeito. Nem a famosa Seleção de 70 foi perfeita. Chegou perto, sem dúvida, mas depois de muito treino, muita preparação. Um bom treinador tem que ter a qualidade de saber aproveitar os jogadores que tem, mesmo que sejam medíocres. E, com jogadores medíocres, não dar, pelo menos, vexame.

Que o torcedor, que também é técnico, como todos, sabe quando o time é fraco, mas tem orientação e esquema de jogo. Não precisa ganhar sempre, só não pode perder sempre. Principalmente para adversários mais fracos.

Técnicos meia boca enganam uma parte do tempo e, por isso, tornam-se perniciosos.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

VIOLÊNCIA DAS TORCIDAS


Leio, estupefato, que nos últimos dez anos, 42 torcedores morreram em conflitos relacionados ao futebol. Isso coloca o Brasil em primeiro lugar no ranking macabro de mortes neste esporte.

E contra isso praticamente nada foi feito.

Todos os dias em que há futebol neste País, ocorrem brigas de torcedores. Ou, pelo menos, algum evento de violência.

As torcidas uniformizadas, fonte principal da pancadaria e de conflitos, permanecem incólumes, usando o símbolo dos clubes, sua camisa, sua tradição para molestar adversários, para espalhar medo e ódio.

Onde está o Ministério Público? Que não toma de uma vez por todas a providência de expulsar para sempre esses vândalos de nossos estádios?

Onde estão os clubes, as federações e a CBD que não exigem das autoridades competentes que punam os que só querem baderna? E os clubes, que se acovardam em não tomar providências contra esses bandos de vândalos que usam seus nomes e símbolos para denegrir sua imagem, através da disseminação da violência?

Acovardam-se todos diante das ondas de torcedores fanáticos que não mereciam ocupar nos estádios o lugar de pessoas civilizadas, que sabem ser o futebol um fator de união, de descontração, de beleza e nunca de violência, de pancadaria.

São muito tímidas, até agora, todas as providências contra os vândalos, os assassinos.

Não podemos tolerar que uma sociedade inteira pague com a vida de seus cidadãos o preço da incompetência, da complacência para com a violência nos estádios.

Já passou da hora de apenas contarmos e chorarmos os mortos.

Não bastam campanhas contra esses bandos de descontrolados: são necessárias leis que proíbam, primeiro a existência das uniformizadas e, segundo, que pessoas flagradas em atos de violência continuem a frequentar os estádios.

Paz no futebol, paz na sociedade, paz na vida das pessoas!

sábado, 18 de julho de 2009

RESSACA AZUL


Esperei alguns dias, para tentar entender esta síndrome: por que os times brasileiros perdem sempre para os argentinos nos finais das Libertadores?

Pensei, pensei muito. E não consegui achar nenhuma resposta satisfatória.

Cruzeiro e Estudiantes, Mineirão, quarta-feira última.

Dois times que já se conhecem. E muito. Era a quarta partida entre eles, nesta Libertadores.

No jogo de Buenos Aires, empate de zero a zero. O que levava a crer que o Cruzeiro tinha condições de vencê-los em sua casa, com a força da torcida, com a tradição, sei lá... com qualquer das malucas superstições e estatísticas que infestam os comentários sobre futebol no Brasil.

Jogo duro, mas sem emoções. Jogo frio. Principalmente por parte do Cruzeiro, que devia ter partido pra cima, encurralando o adversário, não o deixando respirar. Comecei a desconfiar de que as coisas não sairiam bem para o time mineiro, se não pusesse o coração, a emoção, a vontade de vencer na ponta das chuteiras.

Mas, não. O time mineiro jogava exatamente como o argentino: com frieza, sem empolgar a imensa torcida que lotava o Mineirão.

As raras oportunidades de gol surgiram para ambas as equipes.

Começo do segundo tempo: o Cruzeiro faz 1 a zero. Pensei: agora vai. Basta segurar os argentinos no toque de bola, marcar firme, dar-lhe campo e aproveitar o contra-ataque, arma mortal, neste tipo de jogo, em que o adversário se vê obrigado a tentar de tudo.

Mas, que nada. O Cruzeiro continuou no mesmo ritmo. O jogo não mudou. Ou melhor, mudou a favor do Estudiantes, que fez dois a um. E levou a taça, mais uma vez, para a Argentina.

Dois times iguais, num jogo igual, venceu aquele que teve... o quê? Mais sorte? Mais força? Mais... o quê?

E isso tem acontecido sistematicamente, nos últimos anos.

Acho que a única explicação para esse fracasso dos times brasileiros, na Libertadores, diante dos argentinos, só pode ser mesmo obra do acaso, que nem o Jung explicaria.

Ou seja, não tem mesmo nenhuma explicação.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

A SELEÇÃO DO TETRACAMPEONATO MUNDIAL


Copa do Mundo de 1994, Estados Unidos. Final: Brasil e Itália. Mais uma vez, como em 70. Como em 70? Não exatamente: agora, a decisão é na famosa cobrança de tiro livre a partir da marca do pênalti.

Mais tensão impossível.

Até que Baggio joga na Lua, por sobre a cabeça de um atônito Taffarel, sua cobrança. Brasil tetracampeão mundial. E o resto é história.

Não exatamente uma bela história. Estávamos, é certo, vingados da Itália de Rossi, lembra? Aquele cara esperto que detonou o time mágico de Telê Santana...
Ah, e como estávamos vingados.

Porque, quase igual à Itália que nos vencera, com Rossi entrando pela nossa defesa como num baile de debutantes, aquela Itália que vinha mal das pernas, que não jogava nada e, de repente, nasceu, renasceu, cresceu e nos derrotou, também nossa Seleção de 84 tinha o jeito do Parreira: sem graça, sem sal, sem futebol.

Só marcação. Embora tivesse dois jogadores com fome de gol na frente – Bebeto e Romário - a bola corria de cá pra lá no meio de campo, numa desgastante troca de passes, num bailado medroso de quem se assusta com a mínima possibilidade de que o adversário tivesse a bola.

E foi com um futebol medíocre, sem brilho, sem espetáculo, sem dribles de Garrincha ou arrancadas de Pelé, que a Seleção Brasileira de futebol comemorou um título no erro do adversário.

Obrigado, Roberto Baggio, obrigado para sempre. Nunca nos esqueceremos de você.

Já daquela Seleção de 94, claro que não vamos esquecer os jogadores que, afinal, fizeram exatamente o que mandava o técnico. Mas, do Parreira daquela Copa e de uma outra, depois, em que o simples gesto de arrumar uma meia decretou mais uma derrota vergonhosa, desse Parreira eu não quero lembrar, não.



Eis os 22:
Taffarel (Reggiana).
Zetti (São Paulo).
Gilmar (Flamengo).
Jorginho (Bayern München)
Cafu (São Paulo).
Aldair (Roma).
Ricardo Rocha (Vasco).
Mazinho (Palmeiras).
Dunga (PSB Stuttgart).
Mauro Silva (La Coruña).
Zinho (Palmeiras).
Raí (Paris Saint Germain).
Marcio Santos (Bordeaux).
Muller (São Paulo).
Paulo Sergio (Bayern Leverküsen).
Ronaldinho (Cruzeiro).
Viola (Corinthians)
Romário (Barcelona).
Bebeto (La Coruña).
Leonardo (São Paulo).
Branco (Fluminense).
Ronaldão (Shimizu S-Pulse).

quinta-feira, 16 de julho de 2009

MAU RESULTADO, TÉCNICO DESEMPREGADO

Esta parece ser a regra dos cartolas de nosso futebol: se o time não produz, pé na bunda do técnico e, às vezes, de toda a comissão técnica.

Assim, estão desempregados, atualmente, em plena metade do primeiro turno do Campeonato Brasileiro, vários treinadores considerados de ponta: Parreira, Muricy, Luxemburgo, Mancini... E outros menos cotados.

Com exceção do Luxemburgo que, embora ainda não tivesse dado ao Palmeiras o padrão de jogo esperado, todos os outros foram despedidos por maus resultados.

Carlos Alberto Parreira, campeão do mundo, não obteve da direção do Fluminense a paciência para dar aos frangalhos do Fluminense alguma noção do que ele considera padrão de jogo: posse de bola e troca de passes, até cansar o adversário. Gol, para ele, é apenas um detalhe. Esse conceito, na minha opinião, ultrapassado (é só lembrar a Copa de 1984, quando o Brasil ganhou mais por ruindade dos adversários do que por ter um time realmente empolgante) exige tempo, muito tempo, para ser implantado. Às vezes, funciona. Como funcionou durante algum tempo no Corinthians. Depois, cansa. E deixa os torcedores irritados, porque as vitórias são quase sempre por placares mínimos, com um futebol sem empolgação.

Quanto ao Muricy, creio ter sido o desgaste de ficar muito tempo à frente de um time que perdeu o conjunto, por brigas internas e picuinhas entre os jogadores, a causa maior de sua demissão. Além disso, ganhou várias competições, mas não as mais importantes, como a Libertadores.

Luxemburgo é um caso à parte. Nunca teve unanimidade dos corneteiros do Palmeiras, mas vinha fazendo um bom trabalho, com um time bastante medíocre, sem grandes craques. O problema foi, mesmo, político, ou melhor, da politicagem interna do Clube. Seu interino é o que melhor herdou uma base, sobre a qual tem colhido os frutos de cujas árvores não teve tempo de colher o Luxemburgo.

Quanto ao Mancini, do Santos, o caso é mesmo falta de comando. Conseguiu, depois da passagem desastrada do Cuca e de um interino que, coitado, pode até ser um cara legal, mas que de futebol pouco entende e não tem nenhuma experiência com profissionais, reunir o grupo e dar um certo padrão de jogo ao time. Mas, logo se viu que o buraco era bem maior: sem grandes estrelas, mas com várias revelações (que o Santos tem boa estrutura de base), perdeu-se completamente, ao não saber mesclar jogadores experientes com os mais novos e não conseguir controlar as panelinhas e os egos de gente que está no time por razões até mesmo extra-campo, pois são craques de araque, não jogam nada.

Então, fica assim: e agora? Para onde vão esses ilustres desempregados? Quais times terão cacife para contratá-los a peso de ouro? Alguns até valem o investimento; mas outros, nem tanto.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O GOSTO POR FUTEBOL


Parece que gostar de futebol está no sangue de quase todos os homens, e de muitas mulheres também. Nascido como esporte masculino, vem, aos poucos conquistando platéias femininas em todo o mundo. E transforma-se em paixão, em vício, em... sei lá o quê.

Não se explica essa paixão. Vive-se.

E futebol é deleite. É vida. E é arte.

Recupera antigos instintos de priscas batalhas. Batalhas incruentas, de puro prazer e habilidade: onze jogadores ou jogadoras de cada lada de um campo verde, com poucas marcações: um globo no centro, dividido por uma linha; dois quadriláteros ao fundo, um maior e outro menor e a meta, o gol, a rede, onde fica o único player que pode, nos limites do quadrilátero maior, pegar a bola, o instrumento mágico do jogo, com as mãos. Ainda há três outras marcas, com a função precípua de estabelecer limites: a meia-lua, a marca de saída (no centro) e aquela que é, talvez, a marca mais dramática: a marca do pênalti!

E por que tanta paixão por jogo em que se procura dominar a bola com os pés, dois elementos anatomicamente e geometricamente incompatíveis?

Porque justamente requer habilidade no domínio da bola, agilidade no deslocamento, inteligência na compreensão de táticas. Ou seja: ir e voltar ao sabor de ondas de ataque e defesa, colocar-se no lugar certo, passar bem a bola, usar corpo e mente ao longo de noventa minutos para fazer chegar ao gol adversário, vencer o goleiro e fazer a rede balançar com a fúria de uma tempestade e a precisão de um relojoeiro, tudo isso exige de quem pratica o futebol uma noção de beleza, de responsabilidade, de entrega, de compreensão do outro, tanto do jogador de mesmo time, como do adversário, de agilidade e esperteza que, não se pode negar, estamos no terreno puro da arte.

Principalmente quando jogado com ardor, numa partida decisiva. E todas as partidas são decisivas! Se os jogadores ou jogadoras não o entendem assim, não há futebol, não há arte, não há vida entre as quatro linhas!

Por isso, meu blog se chama “FUTEBOL É ARTE... E VIDA!”

E nós, espectadores, torcedores, só temos que nos admirar dessa arte e aceitar os incontáveis destinos que a bola, essa esfera inefável e caprichosa, nos oferece em cada lance, em cada jogada, em cada drible, em cada partida de futebol.

E comemorar, mesmo com o coração sangrando com a derrota de nosso time, o fato de estarmos vivos para assistir a uma partida de futebol. Por que não há prazer maior, a não ser... bem, que cada um escolha o seu prazer maior, mas, vou advertindo, será um só, talvez dois... não muitos mais!