sexta-feira, 24 de julho de 2009

SOBRE JUÍZES E ÁRBITROS, BANDEIRINHAS E ASSISTENTES


Sou do tempo em que juiz de futebol era juiz mesmo. E bandeirinha era o cara que marcava impedimento e saída de bola, com a bandeira levantada. E quase que só isso. Não tinha essa frescura de árbitro e assistente.

E mais: juiz e bandeirinha sempre vestidos de preto. Eram os homens de preto. E xingados: quando punham o pé no gramado, já ouviam o calor da torcida, com o coro de ladrão. Aliás, juiz ladrão, para essa torcida, naqueles tempos, era pleonasmo. Mas era também puro divertimento. Fazia parte do espetáculo xingar o juiz que, dizia-se, tinha duas mães: uma em casa e outra no campo.

O futebol era também outro: corria-se menos. As jogadas, porém, sempre foram as mesmas: com maior ou menor rispidez, jogava-se duro, quando necessário e sua excelência, o juiz, tinha de decidir em milésimos de segundo uma expulsão, uma advertência. E havia o famigerado carrinho, essa jogada criminosa que a FIFA tenta abolir, mas ainda encontra resistência de várias excelências do campo.

Ah, sim: ladrão ou não, os juízes e bandeirinhas sempre erraram. Porque também o erro é parte do espetáculo, da dúvida, da discussão acalorada. E de muitas reclamações e expulsões. Nem vou citar os erros históricos, como o gol de mão do Maradona ou aquela decisão por pênaltis contra a França em que a bola bateu na trave e depois nas costas de nosso goleiro (acho que era o Carlos) e entrou. O juiz validou, numa jogada que, só anos mais tarde, a FIFA declarou ser ilegal. Mas aí, Inês era morta. Tínhamos saído precocemente da Copa.

Também eram mais pusilânimes os juízes de antanho: deixavam mais o pau correr solto em campo. Apenas um exemplo: Brasil e Portugal, na Copa de 66. Não lembro o nome do indivíduo de preto, nem quero lembrar, mas o que ele fez foi criminoso, devia ter saído do campo para a cadeia, por deixar que os portugueses caçassem, literalmente, os brasileiros, principalmente o Pelé (que saiu machucado). Acho que foi o jogo mais violento que já vi na vida.

Bem, mudou o futebol, com mais preparo físico, com outras táticas, com a famosa ocupação dos espaços, e também mudaram os juízes e bandeirinhas. Também melhoraram a condição física, estão tendo mais preparo técnico (principalmente com a ajuda da televisão, através da qual se podem ver repetidas infinitamente as jogadas) e melhor preparo psicológico. Deixaram de ser juízes e bandeirinhas para se tornarem árbitros e assistentes, tendo estes ampliado sua função, dando mais ajuda ao árbitro. E deixaram para trás o uniforme preto, para usarem roupas coloridas, quando a situação permite.

Enfim, mudam-se os tempos, muda-se o futebol, mudam-se árbitros e assistentes. Só não muda uma coisa (e não explicação plausível para isso): eles continuam cometendo erros. Erros absurdos que interferem no resultado de uma partida.

E contra erros de árbitros e assistentes não há tecnologia que resolva, não há melhoria no preparo que minimize. Porque, pelas regras do futebol (que é também um dos seus martírios e um dos seus maiores encantos), o árbitro e os assistentes são soberanos em suas decisões. Podem até ser punidos depois, mas é só.

E contra os seus erros, só resta mesmo o choro. Que é livre e tem corrido solto neste Campeonato Brasileiro de 2009.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

SOMOS TODOS TÉCNICOS DE FUTEBOL, POR QUE NÃO?

Sofrem um pouco, sim, os nossos técnicos, mas ganham bem. E ganham, às vezes, muito acima daquilo de sua capacidade.

Há meia dúzia de bons técnicos no Brasil, não muitos mais. Nem vou citar os melhores, porque quero falar dos piores, daqueles que são meia boca e, mesmo assim, têm prestígio na imprensa, a grana dos cartolas, o respeito dos jogadores e o ódio dos torcedores.

Cuca é um deles. Não resistem a uma análise séria as suas táticas e os times que dirigiu. Frequenta, no entanto, o circuito dos grandes times com a mesma cara de pau com que perde títulos e destrói elencos.

Ricardo Gomes. Não vou chorar pelo São Paulo. Mas um técnico que não consegue dar padrão de jogo a uma seleção de jovens, ainda precisa aprender muito, para chegar a ter o prestígio que tem. É novo e pode até melhorar. Mas precisava passar pelo circuito dos times da segunda divisão ou, quem sabe, da terceira.

Geninho tem a pretensão no nome. Vive sondado pelos grandes times em crise, como salvador. Salva nada. Seus conhecimentos são limitados.

Parreira. Já foi até campeão do mundo. Mas tem visão limitada do jogo: monta um esquema e pronto. Espera que o time jogue sempre daquele jeito. E quando o adversário, espertamente, desmonta o esquema, a vaca vai pro brejo. Além disso, seu esquema é chato, monótono, e faz de qualquer time, depois de algum tempo, um bando de burocratas a tocar a bola de um lado para outro, exaustivamente. O gol vira apenas um detalhe de sua teimosia em usar sempre a mesma tática.

Há vários outros, rolando por aí. Na boca do túnel de times que despedem por qualquer motivo um técnico um pouco melhor. Rondam, como urubus, os campos da primeira divisão, quando deviam ler muito, estudar muito, por exemplo, as táticas de um Telê Santana e de outros que já deram lições importantes de como montar e comandar um time de futebol.

Claro, não há técnico perfeito, como não há time perfeito. Nem a famosa Seleção de 70 foi perfeita. Chegou perto, sem dúvida, mas depois de muito treino, muita preparação. Um bom treinador tem que ter a qualidade de saber aproveitar os jogadores que tem, mesmo que sejam medíocres. E, com jogadores medíocres, não dar, pelo menos, vexame.

Que o torcedor, que também é técnico, como todos, sabe quando o time é fraco, mas tem orientação e esquema de jogo. Não precisa ganhar sempre, só não pode perder sempre. Principalmente para adversários mais fracos.

Técnicos meia boca enganam uma parte do tempo e, por isso, tornam-se perniciosos.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

VIOLÊNCIA DAS TORCIDAS


Leio, estupefato, que nos últimos dez anos, 42 torcedores morreram em conflitos relacionados ao futebol. Isso coloca o Brasil em primeiro lugar no ranking macabro de mortes neste esporte.

E contra isso praticamente nada foi feito.

Todos os dias em que há futebol neste País, ocorrem brigas de torcedores. Ou, pelo menos, algum evento de violência.

As torcidas uniformizadas, fonte principal da pancadaria e de conflitos, permanecem incólumes, usando o símbolo dos clubes, sua camisa, sua tradição para molestar adversários, para espalhar medo e ódio.

Onde está o Ministério Público? Que não toma de uma vez por todas a providência de expulsar para sempre esses vândalos de nossos estádios?

Onde estão os clubes, as federações e a CBD que não exigem das autoridades competentes que punam os que só querem baderna? E os clubes, que se acovardam em não tomar providências contra esses bandos de vândalos que usam seus nomes e símbolos para denegrir sua imagem, através da disseminação da violência?

Acovardam-se todos diante das ondas de torcedores fanáticos que não mereciam ocupar nos estádios o lugar de pessoas civilizadas, que sabem ser o futebol um fator de união, de descontração, de beleza e nunca de violência, de pancadaria.

São muito tímidas, até agora, todas as providências contra os vândalos, os assassinos.

Não podemos tolerar que uma sociedade inteira pague com a vida de seus cidadãos o preço da incompetência, da complacência para com a violência nos estádios.

Já passou da hora de apenas contarmos e chorarmos os mortos.

Não bastam campanhas contra esses bandos de descontrolados: são necessárias leis que proíbam, primeiro a existência das uniformizadas e, segundo, que pessoas flagradas em atos de violência continuem a frequentar os estádios.

Paz no futebol, paz na sociedade, paz na vida das pessoas!

sábado, 18 de julho de 2009

RESSACA AZUL


Esperei alguns dias, para tentar entender esta síndrome: por que os times brasileiros perdem sempre para os argentinos nos finais das Libertadores?

Pensei, pensei muito. E não consegui achar nenhuma resposta satisfatória.

Cruzeiro e Estudiantes, Mineirão, quarta-feira última.

Dois times que já se conhecem. E muito. Era a quarta partida entre eles, nesta Libertadores.

No jogo de Buenos Aires, empate de zero a zero. O que levava a crer que o Cruzeiro tinha condições de vencê-los em sua casa, com a força da torcida, com a tradição, sei lá... com qualquer das malucas superstições e estatísticas que infestam os comentários sobre futebol no Brasil.

Jogo duro, mas sem emoções. Jogo frio. Principalmente por parte do Cruzeiro, que devia ter partido pra cima, encurralando o adversário, não o deixando respirar. Comecei a desconfiar de que as coisas não sairiam bem para o time mineiro, se não pusesse o coração, a emoção, a vontade de vencer na ponta das chuteiras.

Mas, não. O time mineiro jogava exatamente como o argentino: com frieza, sem empolgar a imensa torcida que lotava o Mineirão.

As raras oportunidades de gol surgiram para ambas as equipes.

Começo do segundo tempo: o Cruzeiro faz 1 a zero. Pensei: agora vai. Basta segurar os argentinos no toque de bola, marcar firme, dar-lhe campo e aproveitar o contra-ataque, arma mortal, neste tipo de jogo, em que o adversário se vê obrigado a tentar de tudo.

Mas, que nada. O Cruzeiro continuou no mesmo ritmo. O jogo não mudou. Ou melhor, mudou a favor do Estudiantes, que fez dois a um. E levou a taça, mais uma vez, para a Argentina.

Dois times iguais, num jogo igual, venceu aquele que teve... o quê? Mais sorte? Mais força? Mais... o quê?

E isso tem acontecido sistematicamente, nos últimos anos.

Acho que a única explicação para esse fracasso dos times brasileiros, na Libertadores, diante dos argentinos, só pode ser mesmo obra do acaso, que nem o Jung explicaria.

Ou seja, não tem mesmo nenhuma explicação.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

A SELEÇÃO DO TETRACAMPEONATO MUNDIAL


Copa do Mundo de 1994, Estados Unidos. Final: Brasil e Itália. Mais uma vez, como em 70. Como em 70? Não exatamente: agora, a decisão é na famosa cobrança de tiro livre a partir da marca do pênalti.

Mais tensão impossível.

Até que Baggio joga na Lua, por sobre a cabeça de um atônito Taffarel, sua cobrança. Brasil tetracampeão mundial. E o resto é história.

Não exatamente uma bela história. Estávamos, é certo, vingados da Itália de Rossi, lembra? Aquele cara esperto que detonou o time mágico de Telê Santana...
Ah, e como estávamos vingados.

Porque, quase igual à Itália que nos vencera, com Rossi entrando pela nossa defesa como num baile de debutantes, aquela Itália que vinha mal das pernas, que não jogava nada e, de repente, nasceu, renasceu, cresceu e nos derrotou, também nossa Seleção de 84 tinha o jeito do Parreira: sem graça, sem sal, sem futebol.

Só marcação. Embora tivesse dois jogadores com fome de gol na frente – Bebeto e Romário - a bola corria de cá pra lá no meio de campo, numa desgastante troca de passes, num bailado medroso de quem se assusta com a mínima possibilidade de que o adversário tivesse a bola.

E foi com um futebol medíocre, sem brilho, sem espetáculo, sem dribles de Garrincha ou arrancadas de Pelé, que a Seleção Brasileira de futebol comemorou um título no erro do adversário.

Obrigado, Roberto Baggio, obrigado para sempre. Nunca nos esqueceremos de você.

Já daquela Seleção de 94, claro que não vamos esquecer os jogadores que, afinal, fizeram exatamente o que mandava o técnico. Mas, do Parreira daquela Copa e de uma outra, depois, em que o simples gesto de arrumar uma meia decretou mais uma derrota vergonhosa, desse Parreira eu não quero lembrar, não.



Eis os 22:
Taffarel (Reggiana).
Zetti (São Paulo).
Gilmar (Flamengo).
Jorginho (Bayern München)
Cafu (São Paulo).
Aldair (Roma).
Ricardo Rocha (Vasco).
Mazinho (Palmeiras).
Dunga (PSB Stuttgart).
Mauro Silva (La Coruña).
Zinho (Palmeiras).
Raí (Paris Saint Germain).
Marcio Santos (Bordeaux).
Muller (São Paulo).
Paulo Sergio (Bayern Leverküsen).
Ronaldinho (Cruzeiro).
Viola (Corinthians)
Romário (Barcelona).
Bebeto (La Coruña).
Leonardo (São Paulo).
Branco (Fluminense).
Ronaldão (Shimizu S-Pulse).

quinta-feira, 16 de julho de 2009

MAU RESULTADO, TÉCNICO DESEMPREGADO

Esta parece ser a regra dos cartolas de nosso futebol: se o time não produz, pé na bunda do técnico e, às vezes, de toda a comissão técnica.

Assim, estão desempregados, atualmente, em plena metade do primeiro turno do Campeonato Brasileiro, vários treinadores considerados de ponta: Parreira, Muricy, Luxemburgo, Mancini... E outros menos cotados.

Com exceção do Luxemburgo que, embora ainda não tivesse dado ao Palmeiras o padrão de jogo esperado, todos os outros foram despedidos por maus resultados.

Carlos Alberto Parreira, campeão do mundo, não obteve da direção do Fluminense a paciência para dar aos frangalhos do Fluminense alguma noção do que ele considera padrão de jogo: posse de bola e troca de passes, até cansar o adversário. Gol, para ele, é apenas um detalhe. Esse conceito, na minha opinião, ultrapassado (é só lembrar a Copa de 1984, quando o Brasil ganhou mais por ruindade dos adversários do que por ter um time realmente empolgante) exige tempo, muito tempo, para ser implantado. Às vezes, funciona. Como funcionou durante algum tempo no Corinthians. Depois, cansa. E deixa os torcedores irritados, porque as vitórias são quase sempre por placares mínimos, com um futebol sem empolgação.

Quanto ao Muricy, creio ter sido o desgaste de ficar muito tempo à frente de um time que perdeu o conjunto, por brigas internas e picuinhas entre os jogadores, a causa maior de sua demissão. Além disso, ganhou várias competições, mas não as mais importantes, como a Libertadores.

Luxemburgo é um caso à parte. Nunca teve unanimidade dos corneteiros do Palmeiras, mas vinha fazendo um bom trabalho, com um time bastante medíocre, sem grandes craques. O problema foi, mesmo, político, ou melhor, da politicagem interna do Clube. Seu interino é o que melhor herdou uma base, sobre a qual tem colhido os frutos de cujas árvores não teve tempo de colher o Luxemburgo.

Quanto ao Mancini, do Santos, o caso é mesmo falta de comando. Conseguiu, depois da passagem desastrada do Cuca e de um interino que, coitado, pode até ser um cara legal, mas que de futebol pouco entende e não tem nenhuma experiência com profissionais, reunir o grupo e dar um certo padrão de jogo ao time. Mas, logo se viu que o buraco era bem maior: sem grandes estrelas, mas com várias revelações (que o Santos tem boa estrutura de base), perdeu-se completamente, ao não saber mesclar jogadores experientes com os mais novos e não conseguir controlar as panelinhas e os egos de gente que está no time por razões até mesmo extra-campo, pois são craques de araque, não jogam nada.

Então, fica assim: e agora? Para onde vão esses ilustres desempregados? Quais times terão cacife para contratá-los a peso de ouro? Alguns até valem o investimento; mas outros, nem tanto.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O GOSTO POR FUTEBOL


Parece que gostar de futebol está no sangue de quase todos os homens, e de muitas mulheres também. Nascido como esporte masculino, vem, aos poucos conquistando platéias femininas em todo o mundo. E transforma-se em paixão, em vício, em... sei lá o quê.

Não se explica essa paixão. Vive-se.

E futebol é deleite. É vida. E é arte.

Recupera antigos instintos de priscas batalhas. Batalhas incruentas, de puro prazer e habilidade: onze jogadores ou jogadoras de cada lada de um campo verde, com poucas marcações: um globo no centro, dividido por uma linha; dois quadriláteros ao fundo, um maior e outro menor e a meta, o gol, a rede, onde fica o único player que pode, nos limites do quadrilátero maior, pegar a bola, o instrumento mágico do jogo, com as mãos. Ainda há três outras marcas, com a função precípua de estabelecer limites: a meia-lua, a marca de saída (no centro) e aquela que é, talvez, a marca mais dramática: a marca do pênalti!

E por que tanta paixão por jogo em que se procura dominar a bola com os pés, dois elementos anatomicamente e geometricamente incompatíveis?

Porque justamente requer habilidade no domínio da bola, agilidade no deslocamento, inteligência na compreensão de táticas. Ou seja: ir e voltar ao sabor de ondas de ataque e defesa, colocar-se no lugar certo, passar bem a bola, usar corpo e mente ao longo de noventa minutos para fazer chegar ao gol adversário, vencer o goleiro e fazer a rede balançar com a fúria de uma tempestade e a precisão de um relojoeiro, tudo isso exige de quem pratica o futebol uma noção de beleza, de responsabilidade, de entrega, de compreensão do outro, tanto do jogador de mesmo time, como do adversário, de agilidade e esperteza que, não se pode negar, estamos no terreno puro da arte.

Principalmente quando jogado com ardor, numa partida decisiva. E todas as partidas são decisivas! Se os jogadores ou jogadoras não o entendem assim, não há futebol, não há arte, não há vida entre as quatro linhas!

Por isso, meu blog se chama “FUTEBOL É ARTE... E VIDA!”

E nós, espectadores, torcedores, só temos que nos admirar dessa arte e aceitar os incontáveis destinos que a bola, essa esfera inefável e caprichosa, nos oferece em cada lance, em cada jogada, em cada drible, em cada partida de futebol.

E comemorar, mesmo com o coração sangrando com a derrota de nosso time, o fato de estarmos vivos para assistir a uma partida de futebol. Por que não há prazer maior, a não ser... bem, que cada um escolha o seu prazer maior, mas, vou advertindo, será um só, talvez dois... não muitos mais!