domingo, 20 de dezembro de 2009

SALTO ALTO? NÃO NO GRAMADO


Brasil e México pelo Torneio Cidade de São Paulo de seleções de futebol feminino. Final. México sai na frente, com um golaço. Mas... em campo estão Marta, Cristiane e... um time de belas, belíssimas jogadoras, em todos os sentidos. Apesar do placar desfavorável, sabem bem o que querem e o que fazer com a bola. Então, só resta ver o show, que não tarda e não falta. Com jogadas maravilhosas, essas meninas do Brasil não têm salto alto, não: correm o tempo todo. Esforçam-se. E premiam a torcida que lotou o Pacaembu com uma goleada: 5 a 2.




JOGO: Brasil x México

FINAL DO TORNEIO SÃO PAULO DE FUTEBOL FEMININO

Local: Pacaembu

Hora: 16h

Data: 20.12.2009

BRASIL: Andréia, Renata, Aline e Janaína (Grazielle); Maurine, Ester, Fran e Rosana (Danielli); Érika, Cristiane e Marta (Gabriela)Técnico: Kleiton Lima

MÉXICO: Sophia; Letícia, Marylin, Aline Garcia Mendez e Maria Castillo; Luz Saucedo, Pupita Guadalupe, Dinorá Garza e Renae Cuellar (Nayeli Rangel); Evelyn Lopez (Monica Alvarado) e Monica OcampoTécnico: Leonardo Cuellar

Gols:

Para o México: Dinora Garza e Nayele Rangel
Para o Brasil: Aline Pellegrino, Marta (3) e Aline Garcia Mendez (contra)

sábado, 12 de dezembro de 2009

NOVAMENTE A VIOLÊNCIA DAS TORCIDAS





O Campeonato Brasileiro acabou. E acabou também - felizmente – esse samba de uma nota só que era a taça ficar em São Paulo, principalmente com o time do São Paulo. O Flamengo foi um campeão de garra, de superação. Aliás, foi o Campeonato mais tenso e mais disputado dos últimos anos, como a mídia não cansou de repetir. Fluminense e Botafogo deram um show à parte, em termos de superação, de garra, de renascimento.

Mas, não é exatamente do Campeonato Brasileiro que eu quero falar. Quero comentar, mais uma vez e – mais uma vez com raiva, com pesar, com arrepios de medo – o comportamento desses bárbaros que se reúnem sob o nome de “torcida organizada”.

Enquanto essa praga se mantiver, não vou descansar de reclamar contra a sua existência.

“Organizar-se” para torcer por um clube de futebol virou sinônimo de vandalismo, de agressão, de brigas, de mortes.

Até quando vamos tolerar que os clubes de futebol e seus dirigentes sejam coniventes com quem se apropria do símbolo do clube, da camisa do clube, da história do clube – que é o seu maior patrimônio – para cometer atos de barbárie?

Até quando vamos tolerar que o Ministério Público, os governantes, a Justiça, as pessoas responsáveis deste País permitam que pessoas abrutalhadas pelas condições de anonimato de um bando que se autodenomina “torcida organizada” infernizem nossas ruas, em dias de jogo, agridam quem não tem nada com isso, promovam badernas e quebradeiras e saiam impunes?

Admitir a existência desses malditos vândalos, agressores e assassinos é admitir que temos, sim, que conviver com a barbárie, com a estupidez, com o desrespeito.
O espetáculo deprimente ocorrido em Curitiba – que não é único, que não é isolado: é coisa que se repete em cada campo de futebol – devia servir de exemplo para toda a sociedade.

Que se tenha a coragem de abolir de uma vez e para sempre dos campos os que só vão ver futebol para brigar, para agredir, para assassinar.

Enquanto medidas muito restritivas e punitivas – como se fez na Inglaterra contra os hooligans – não forem tomadas, vamos continuar convivendo com perdas inúteis de vidas, com acontecimentos lastimáveis, como os que ocorreram em Curitiba, na última rodada do Campeonato Brasileiro. E isso não pode, de forma alguma, continuar ocorrendo.

Afinal, futebol é só um jogo, talvez o mais belo jogo esportivo inventado pelo homem, mas, com a fúria desses vândalos, corre o risco de se transformar em espetáculo que só poderá ser visto pela televisão, com imensos estádios completamente vazios.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

SETE MESES DE ÁFRICA



Realizou-se, hoje, dia 4 de dezembro de 2009, o sorteio dos grupos para a Copa do Mundo de 2010, marcando, praticamente, o início oficial da Copa da África.

Não quero comentar grupos e dificuldades, do Brasil ou de outras seleções. Quero falar um pouco do Grande Continente Africano.

Tem sido, nestes últimos séculos, a Mama África o penico do mundo, se me perdoam a expressão chula. Desprezada pelos países colonizadores, a partir do processo de independência e descolonização, chega a África ao século XXI sem conseguir superar, na maior parte do imenso continente, a miséria, as lutas tribais, os genocídios, as doenças.

Tem o mundo ocidental, principalmente a Europa, que de lá tirou muito de sua riqueza, uma dívida imensa para com o continente africano. Seus governantes não podem continuar olhando de soslaio e fingindo que não vêem a triste situação de muitos povos que lhe serviram de mão de obra escrava, para construir sua atual prosperidade. E mesmo os Estados Unidos e o Brasil devem aos africanos muito de sua riqueza. E algo muito mais importante que todas as riquezas do mundo: a cultura e a miscigenação, principalmente o Brasil.

A realização da Copa do Mundo de Futebol na África do Sul é uma oportunidade para o mundo conhecer um pouco mais o que se passa em toda a África. E mais: é a oportunidade para diminuir distâncias e o estranhamento que o Grande Continente sempre provocou nos demais povos do mundo. Donos de uma cultura milenar, múltipla e mais do que preciosa, os habitantes da África terão a oportunidade de aparecer um pouco mais em revistas, jornais e, principalmente, na televisão ocidental, para se desfazerem os estereótipos e, por que não dizer, tentar diminuir o racismo que ainda existe em relação aos nossos antepassados negros.

O futebol pode, sim, ser o elo entre dois mundos interdependentes que sempre se estranharam. Basta que aproveitemos a oportunidade para abrir nossos olhos e contemplar a África dos homens e mulheres que lá habitam como seres humanos que necessitam não de esmolas ou de campanhas humanitárias, mas de reconhecimento de seu trabalho, de investimento para seus empreendimentos, para que alcancem o desenvolvimento dos demais países do mundo.

Graças ao futebol, teremos sete meses de África nas mídias do mundo: olhemos bem os nossos irmãos africanos.