quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

POLÊMICA À VISTA?



Coisas que sempre me incomodaram, num jogo de futebol: torcidas organizadas e demonstrações de fé religiosa dos jogadores, principalmente na comemoração de gols.

Quanto às organizadas, eu acredito que deve haver duas maneiras de combater sua violência: os clubes não lhes darem nenhum prestígio, percebendo que esse bando de baderneiros usa as cores e a marca do clube para cometer atrocidades e o Ministério Público e as autoridades proibirem de vez sua existência.

Quanto às demonstrações religiosas dos jogadores, até a própria FIFA já recomendou que se devesse evitá-las. Afinal, futebol é só um jogo, que nada tem de místico ou de religioso. Além do mais, entre os torcedores, atualmente do mundo todo, há crenças as mais variadas, provenientes das mais diversas culturas e regiões.

O marketing religioso de um jogador, por mais inocente que possa parecer, pode suscitar desconforto e, até mesmo, agressões entre torcidas, já que a religião tem um potencial polêmico extremamente exacerbado, num mundo dividido entre crenças que mais se odeiam do que se amam ou se respeitam.

Assim, quando o Santos Futebol Clube anuncia que, em sua cartilha de conduta para os jogadores, está proibindo manifestações religiosas, seja na comemoração de um gol, seja em entrevistas ou no uso de símbolos em camisetas e outros materiais esportivos, isso, com certeza, vai despertar muita polêmica.

Mas, está certo o clube. E todos os demais deveriam fazer a mesma coisa. Se condenamos a mistura de política com esporte, também é absurda essa tentativa dos jogadores de futebol de dar cunho religioso a um jogo que, repito, nada tem de místico.

Respeitem-se as crenças dos jogadores, claro, mas respeitem-se também, e principalmente, os torcedores. Não me interessa se fulano ou beltrano pertence ou segue tal e qual seita religiosa. Isso é de foro íntimo dele e de mais ninguém.

Incomoda, sim, quando se misturam coisas que não devem ser misturadas.

Os famosos “atletas de Cristo” ou quaisquer outras denominações que se atribuem grupos de jogadores não podem continuar ofendendo nossa inteligência e sensibilidade com a imposição de seus atos de fé. Guardem-nos, a esses atos, para sua vida particular.

Cartão vermelho para os atletas - de qualquer seita - que queiram fazer proselitismo de sua fé nos campos de futebol.

E estamos conversados.

Polêmica? Só para os idiotas que não percebem ou não querem perceber que respeito é fundamental. Em qualquer atividade humana.