domingo, 21 de fevereiro de 2010

A OBSESSÃO CORINTIANA PELA LIBERTADORES





Já vai em meio o Campeonato Paulista. E, até agora, alguém viu o time do Corinthians que vai jogar a Libertadores? Alguém sabe como vai jogar o Corinthians na Libertadores?

Só o que se viu foi um time um pouco acima do razoável, alternando boas partidas com outras sofríveis. Amargando mais decepções do que propriamente vitórias. Quando goleou, foi muito mais por medo e ruindade do adversário do que por mérito próprio.

No entanto, tem o time do Corinthians, neste ano do centenário, uma obsessão: a conquista da Libertadores. E, para a torcida, isso não é só obsessão: é obrigação. Então, embalada por uma baciada de contratações, não vê os defeitos do time, não percebe que a coisa pode não sair exatamente como eles querem.

Vejamos: o time tem um craque, Jorge Henrique. E duas estrelas: Ronaldo e Roberto Carlos. E só.
O resto é meio que assim mesmo, resto. Ou seja, há, sim, bons jogadores, mas... nenhum que faça realmente a diferença. As estrelas podem até brilhar e, com seu brilho, irradiar um pouco mais de criatividade ao time. Que está, até certo ponto, bem treinado, mas...

A Libertadores é um torneio cascudo. O futebol brasileiro sempre teve sérias dificuldades, mesmo ao enfrentar times de menor prestígio e de futebol pouco acima do razoável. Não se sabe bem por quê, mas parece que essa taça tem uma atração fatal por times de língua espanhola e, por isso, os hermanos argentinos deitam e rolam. Com bons times, mesmo que não tão bons, às vezes, que os brasileiros. Mas eles já estão carecas de tantas vitórias. E cantam de galo.

Voltando ao Corinthians: com toda a mística criada em torno de um time formado e treinado e preparado para quebrar o tabu da Libertadores (que ele nunca venceu), será o time a ser batido. Não terá vida fácil o Mano Menezes: com certeza, enfrentará retrancas e marcação muito mais cerrada, muito mais viril, inclusive sob os auspícios de árbitros – de lengua española, claro – muito mais complacentes com nossos hermanos do que com os brasileiros. Como, aliás, sempre foram.

Então, não estou querendo por água na sopa do Timão, não. Mas aconselho barbas de molho. Num molho que tenha muitos galhos de arruda, para afastar o azar, e, de quebra, muita reza brava para que o time – que ninguém viu jogar até agora – realmente encontre um futebol muito acima daquilo que vem jogando no Campeonato Paulista.

Caso contrário... Cala-te, boca!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

CAMINHOS DO FUTEBOL


A famosa frase “conheço os atalhos do campo”, atribuída a tantos que se tornou impossível identificar o primeiro a dizê-la, é um daqueles dogmas do futebol, sendo ou não verdadeira. Conhecer a profissão, saber tudo de bola, parece encerrar afirmação definitiva, que anda por aí de boca em boca.

Mas os caminhos da bola, ou melhor, os caminhos do futebol não estão assim tão claros ultimamente.

O Brasil sempre foi chamado de “celeiro de craques” (outro lugar comum). Mas, hoje, os times brasileiros penam para encontrar bons jogadores. O celeiro pegou fogo? Sumiu? Nada disso. Apenas mudou-se mais cedo. O moleque mal aparece na Taça São Paulo e já vai embora, para algum clube menor do Afeganistão, da Turquia ou da Rússia. E faz carreira por lá. Às vezes, com sucesso; outras, com um ou outro fracasso, mas dá pra ir levando.

De vez em quando, ouvimos falar do gol de fulano ou beltrano, brasileiro, que joga na primeira divisão de um país qualquer da Europa, da Ásia ou do Japão. Ilustre desconhecido aqui, líder da torcida, lá.

Então, o jeito é, na falta de bons jogadores, os nossos times começarem a repatriar talentos bastante razoáveis e, até mesmo, de bom nível, de times desconhecidos.

E outros caminhos de volta acontecem com craques aqui formados e que estão em desgraça na Europa, ou amargando banco, por questões de má fase quase sempre provocada por inadaptação ou saudade do arroz com feijão, bife e batata frita.

Enfim, vários são os caminhos do futebol, principalmente os caminhos de volta. Aí estão Ronaldo, Adriano, Fred e tantos outros, aos quais vem-se juntar, por razões até compreensíveis, mas estranhas, Robinho, o craque preferido de Dunga, para o ataque da Seleção na Copa.

Robinho amargava banco, na Inglaterra. Em má fase técnica, via sua chance de ir à Copa minguar a cada dia. Volta, então, para o Santos, que o recebe como ídolo e salvador. E eu pergunto, para ter uma resposta óbvia: quem está salvando quem?

Não há dúvida de que Robinho é muito bem-vindo ao Santos como seria em qualquer outro time do Brasil, mas quem está em busca de salvação é o próprio jogador. Tomara que, conhecedor dos caminhos do campo, Robinho também tenha acertado o atalho da recuperação.

O Brasil agradecerá, claro.