quinta-feira, 4 de março de 2010

THE BRAZILIAN TEAM: FROM LONDON TO SOUTH AFRICA




The Brazilian Team, ou seja, a Seleção Brasileira jogou anteontem, dia 2 de março de 2010, contra a Seleção da Irlanda, mais uma vez em Londres, sua atual casa. Acho que só veremos de novo uma seleção brasileira jogando no Brasil na Copa de 2014, que será aqui. Enfim, vamos falar um pouco sobre o time do Dunga.

Já ouvi por aí gente dizendo que Dunga começou a perder a Copa do Mundo, por não ter convocado o Ronaldinho Gaúcho. E haja saco para a cobrança da imprensa sobre esse jogador!

Bem, vamos com calma.

Dunga assumiu a Seleção com o compromisso de mudar a atitude dos jogadores, depois do vexame da última Copa. Conseguiu.

Além disso, precisa achar um time, um grupo que, além do compromisso, apresentasse um bom padrão de jogo. Também conseguiu.

É um time brilhante?

Essa é questão fundamental. A Seleção do Dunga tem obtido vitórias importantes. Joga de forma pragmática. Às vezes, só às vezes, de forma brilhante. Tem jogadas ensaiadas. Tem uma boa defesa. E sua principal tática tem sido um contra-ataque mortífero.

Está acima da Seleção de 94, comandada em campo pelo próprio Dunga. Mas ainda está distante das seleções vencedoras e, mesmo, das seleções que não ganharam nada comandadas por Telê Santana.

Ronaldinho Gaúcho: está-se recuperando de uma longa fase de baladas e mau futebol. Tem lugar na Seleção?

Sim e não.

Se pensarmos que o grupo de Dunga está “fechado”, com esquema definido, atitudes consideradas ideais estabelecidas, ou seja, se pensarmos que o atual grupo de jogadores que têm sido convocados tem um comportamento esperado pelo treinador, tanto dentro de campo quanto fora, Ronaldinho Gaúcho, com certeza, não tem lugar. E é mais provável que não seja, mesmo, convocado.

No entanto, se pensarmos em termos de qualidade, pode-se ter um argumento muito forte em relação à convocação de Ronaldinho, nem que seja como reserva. O problema é que o time de Dunga tem um único craque, aquele jogador que faz a diferença: Kaká. Se, por qualquer motivo, ele não puder jogar uma partida importante, por exemplo, não há ninguém que o substitua, no atual elenco. Esse jogador seria o Ronaldinho.

Outro problema: diante de uma marcação implacável. Ou diante de um time que anule o esquema tático do Dunga, quem pode mudar a situação? No banco, não há ninguém que possa entrar e alterar completamente os rumos de uma partida, com seu talento e criatividade. E esse jogador seria o Ronaldinho.

Enfim, Ronaldinho pode, sim, fazer falta ao Dunga. Mas não é imprescindível. Não será por ele que The Brazilian Team ganhará ou não a Copa do Mundo da África do Sul.
Porque ganhar ou perder depende de tantos e tantos detalhes e circunstâncias de uma competição tão rápida, que o importante é esperarmos que a Seleção Brasileira, enfim jogando com responsabilidade um bom futebol, faça um bom papel.

Saindo do frio de Londres diretamente para a quente África do Sul, possa continuar mostrando por que ainda somos bons de bola, e não perca bisonhamente jogos, por falta de interesse, por excesso de estrelismo, ou até mesmo por alguém resolver arrumar a meia na hora de um cruzamento fatal.



SERVIÇO:

IRLANDA 0 X 2 BRASIL

Local: Emirates Stadium, Londres

Irlanda: Given, Kelly, McShane, Sean Ledger e Kilbane; Lawrence (McCarthy), Glenn Whelan (Gibson), Adrews e Duff (McGeady); Robbie Keane e Kevin Doyle.
Técnico: Giovanni Trapattoni.

Brasil: Júlio César, Maicon (Carlos Eduardo), Lúcio (Luisão), Juan e Michel Bastos; Gilberto Silva, Felipe Melo, Ramires (Daniel Alves) e Kaká; Robinho (Nilmar) e Adriano (Grafite).

Técnico: Dunga.

Gols: Andrews (contra) aos 43 min. do primeiro tempo; Robinho, aos 31 min. do segundo tempo.

Juiz: Mike Dean (Inglaterra)

Público: 40.082 pessoas.

segunda-feira, 1 de março de 2010

CORINTHIANS: UMA DERROTA PARA SERVIR DE LIÇÃO




Vila Belmiro, domingo, 29 de fevereiro de 2010: o Santos derrota o Corinthians por 2 a 1. Um resultado que poderia ser o inverso, e seria normal. Afinal, clássicos se perdem e se ganham. Os clássicos são como bexigas que se soltam para o ar: nunca sabemos onde vão parar.

Mas o jogo não foi normal: um time de moleques, o Santos, se não fosse um time de moleques, poderia ter impingido ao experiente Corinthians uma sonora e inesquecível goleada.

Aquilo que vi no primeiro jogo do Timão na Libertadores, um time com freio de mão puxado, sem criatividade, apareceu multiplicado por dez diante da molecada rápida e criativa do Peixe. Além disso, o descontrole de alguns jogadores, o que levou à expulsão dos dois laterais – o jovem Moacir e o rodado Roberto Carlos (este, talvez até nem merecesse, mas foi muito infantil ao se jogar na área, para tentar enganar o árbitro) – leva-nos a reforçar a idéia de que não terá vida fácil o Mano Menezes na Libertadores, se não houver uma mudança radical de atitude e de esquema tático.

Corre sério risco de não chegar nem às semifinais, se continuar jogando assim. Assim, como? Previsivelmente. Com excesso de autossuficiência, sem velocidade, como se fosse ganhar o jogo a qualquer momento, sem necessidade de se esforçar. Um time cerebral demais e pouco criativo.

E nem se pode dizer que falta motivação. Afinal, para todo o elenco – e todos fazem questão de reforçar isto – a Libertadores é o objetivo final, o sonho de todos, principalmente neste ano de centenário. Principalmente com o incentivo da torcida.
Assim, sem querer, o Santos fez um grande favor ao Corinthians, aliás dois: não o goleou, como poderia, e ainda mostrou todos os defeitos e todas as falhas de um time que está sonhando muito alto.

Só que precisa acordar para a realidade.


Serviço:

Santos 2 x 1 Corinthians

Local: Vila Belmiro, Santos, São Paulo.

Santos: Felipe, Roberto Brun (Madson), Edu Dracena, Durval e Pará (Germano); Arouca, Wesley, Marquinhos (Breitner) e Paulo Henrique Ganso; Neymar e André.

Técnico: Dorival Júnior.

Corinthians: Felipe, Alessandro, (Moacir), Chicão, William e Roberto Carlos; Ralf (Jucilei), Elias e Tcheco; Jorge Henrique, Dentinho (Iarley) e Ronaldo.

Técnico: Mano Menezes.

Gols: Neymar (33 m do 1º tempo); André (14 m do 2º tempo); Dentinho (22 m do 2º tempo).

Juiz: José Henrique de Carvalho.

Cartões amarelos: Felipe, Chicão, William, Roberto Carlos, Elias, Tcheco, Moacir (C); Pará, Paulo Henrique, Breitner e Neymar (S).

Cartões vermelhos: Moacir e Roberto Carlos (C).