sábado, 25 de setembro de 2010

DEIXEM EM PAZ O MOLEQUE!




Há poucos dias, estarrecido, ouvi, pela rádio CBN, a seguinte história, inserida nos programetes que comemoram os cem anos do Corinthians:

Rivelino, talvez o maior craque e ídolo do time, teve que ser vendido porque teve a torcida foi jogada contra ele por uma série de artigos de um medalhão do jornalismo esportivo, que, à época, fez intensa campanha contra o craque, em sua coluna.

E mais: o tal medalhão se confessa, hoje, arrependido por ter feito aquilo com o craque!

Ora, ora: agora Inês é morta, cara-pálida.

Vejam o poder que tem alguém que escrevia/escreve em jornais ou faz análises e comentários através da mídia: ergue e destrói reputações.

Por isso, acho eu, o crítico deve ser crítico, sim, mas extremamente criterioso e justo em suas críticas. Não valem perseguições pessoais, ojerizas, rancores, incitações ao ódio ou ao preconceito, porque isso, definitivamente, não é bom jornalismo. Aliás, é péssimo jornalismo!

Ninguém está isento de erro. Mas não cabe à mídia acusar, julgar e condenar a quem quer que seja. E mesmo ao apresentar os fatos, encontrar o tom exato que não leve ao julgamento, ao linchamento público.

E, agora, vejo, mais uma vez estarrecido, a campanha da mídia ou de uma certa mídia contra o garoto Neymar, do Santos Futebol Clube.

Ora, gente: ele tem apenas 18 anos.

Nunca foi, não é e parece não ter nenhuma vocação para bad boy.

Fez algumas besteiras, que qualquer moleque de sua idade faz. Ainda mais com toda a badalação em torno de seu futebol, de sua permanência no Santos, de sua irreverência e alegria em jogar futebol, em “humilhar” adversários com seus dribles e jogadas desconcertantes.

Garrincha não fazia o mesmo? Não chamava a todos os seus tontos marcadores de joões? Se jogasse hoje, qual seria o tratamento da mídia mal humorada contra ele?

O que tem a mídia contra a alegria, a irreverência?

E há mais uma coisa estarrecedora: dão-lhe a fama de cai-cai, o que na gíria futebolística significa jogador dissimulado, “intocável” (que cai à toa), provocando juízes e jogando a torcida contra os homens de preto.

Então, fico me lembrando de um craque excepcional: o Reinaldo, do Atlético Mineiro.

Parou de jogar aos 28 anos, estourados os joelhos pelas entradas criminosas de beques furibundos, sob os olhares complacentes de árbitros imbecis, que achavam que Reinaldo também era um dissimulado, um cai-cai!

É o que estão fazendo com o menino Neymar!

Se ele errou, ao discutir com o ex-técnico do Santos e com alguns colegas do próprio time ou de times adversários, deve receber punição interna do seu clube. E a punição deve ser proporcional ao erro cometido. O que não justifica, absolutamente, abrir mão de seu talento em jogos importantes.

Tampouco implica ser “queimado” na Seleção, numa atitude absolutamente imbecil e corporativista do técnico Mano Menezes.

E, principalmente, não pode, não deve ser alvo dessa campanha sutil e absurda da mídia contra ele. Isso é simplesmente criminoso e não posso, em nome do bom futebol, concordar com o que estão fazendo: jogando a opinião pública e a a própria torcida do Santos contra o seu principal jogador, um jovem de 18 anos que pode se transformar numa das maiores revelações do futebol brasileiro dos últimos anos.

Espero que a torcida santista não entre no jogo sujo que parece esconder interesses ainda mais sujos dessa gente que manipula, que mente, que difama, escondida nas redações de telejornais, de emissoras de rádio, de jornais e revistas. Essa gente, que espero não ser a maioria da mídia, não merece que aceitemos suas regras de má convivência, de má crítica, de incentivo ao rancor e ao preconceito.

Deixem em paz o menino Neymar, para que ele possa corrigir seus erros e voltar a jogar futebol com alegria, como ele sabe fazer!