domingo, 19 de dezembro de 2010

MUNDIAL DE CLUBES DE 2010



A Internazionale de Milão – um time que, de italiano, só tem o nome, pois só tem estrangeiros – venceu o surpreendente Mazembe, de Angola, por três a zero e ganhou o título mundial de clubes, disputado em Abuh Dahbi.


Falou-se muito do Mazembe, como a zebra africana que desclassificou o Internacional de Porto Alegre. Mas, de zebra, o time angolano tinha apenas as listras pretas nas camisas brancas. Nada mais. É um bom time, mas, como todo time africano, falta-lhe consistência: alterna jogadas maravilhosas com bisonhices defensivas.

Então, por que ganhou do Inter, que entrou favorito e perdeu por dois a zero?

Não. Não foi o Mazembe que ganhou, mas o time gaúcho é que perdeu para si mesmo. E as causas podem ser várias, dentre elas eu aponto:

1. Esse negócio de time que vai disputar um título começar a poupar seus jogadores é sempre perigoso. É meio aquele velho chavão do futebol: jogo é jogo, treino é treino. Eu acredito que uma equipe, para ganhar densidade, consistência técnica e espírito de competição, tem que jogar. Quando fica muito tempo sem jogar, apenas treinando, parece que o time perde “liga”, perde noção de jogo, noção de espaço do campo e começa jogando com o “breque de mão puxado”. E quando demora muito a se acertar em campo, geralmente o jogo desanda. E foi o que aconteceu com o Inter.


2. Faltou competência técnica nas finalizações. Os jogadores do Inter não aproveitaram as oportunidades de gol surgidas no primeiro tempo e isso foi fatal: time que não marca, leva – mais um velho chavão que vive acontecendo por aí. Por que teimaram em errar tanto? Primeiro motivo está no item anterior: falta de noção de espaço. Segundo motivo: falta de treinos corretos em finalizações. Duas jogadas ilustram meu pensamento: logo no começo, acho que foi o Rafael Sóbis: recebeu um lançamento alto na área e chutou para cima, de primeira. Estava um tanto cercado por defensores do Mazembe, mas dava para matar a bola e ajeitá-la para o chute, como fez o atacante adversário em situação semelhante no segundo tempo: recebeu entre três zagueiros e, numa matada simples, teve o gol à disposição e foi só sair para o abraço.


3. Faltou malícia ao técnico do Inter, Celso Roth, em não aperfeiçoar finalizações em treinos específicos, muito treinos, principalmente porque a bola do jogo era a famosa Jabulani, que tanto trabalho deu aos jogadores na Copa do Mundo, e em não mexer logo no time, quando a situação começou a se complicar no início do segundo tempo.


4. Saber que o adversário é fraco na defesa e não conseguir explorar suas fraquezas indica falta de uma mão mais firme do treinador, de mais treino tático e, principalmente, de finalizações.
5. Por último, havia um jogador que precisava jogar bem e não o fez: D’Alessandro. O argentino é o principal responsável pelas boas jogadas do seu time e, talvez, por todos os motivos anteriores, não fez uma boa partida. Esteve totalmente apagado, jogando fora de sua posição e de suas características. Também aí faltou a mão do técnico, que tinha de reposicionar o jogador em campo, para tentar “acordá-lo” e permitir que ele desenvolvesse seu futebol.

Enfim, o Internacional perdeu para seus próprios erros. Que o vexame sirva de lição a outros times brasileiros que, por acaso, vençam a Libertadores e ganhem o direito de disputar o Mundial de Clubes.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

FINAL DO CAMPEOANATO BRASILEIRO DE 2010




Se, há um ano, alguém dissesse que o Fluminense seria campeão brasileiro de 2010, seria tachado de doido. Doido varrido. Pois, é: depois de lutar para não cair para a segunda divisão, o time superou o desânimo, a falta de investimentos e montou um elenco competitivo e colheu, agora, os frutos de um bom trabalho.

Parabéns, sem dúvida nenhuma, ao tricolor carioca pela conquista de um campeonato que termina com uma série de fatos importantes, que merecem uma análise um pouco mais detalhada.

Primeiro, a consolidação do processo de pontos corridos. Não só faz justiça aos melhores times, aos elencos mais competitivos e estáveis, como permite emoções até o último instante, em termos de decisões que mexem com as torcidas e atraem público.

Segundo, as instabilidades decorrentes de mudança de elenco das equipes, devido a contratações de jogadores por times europeus, já não têm provocado tantos problemas: as saídas têm sido contrabalançadas com aquisições, o que indica uma certa maturidade dos dirigentes esportivos. Ainda estamos longe de administrações sérias e competentes no nosso futebol, mas isso também já dá sinais de melhoras.

Ainda sobre o Campeonato que terminou, destaquem-se alguns fatos menos badalados pela mídia especializada:

1. a recuperação de um jovem que eu pensei que daria adeus ao mundo da bola, alguns anos atrás, quando ainda jogava pelo Santos: Jonas, o artilheiro do campeonato. Muito mais do que o número de gols feitos pelo Grêmio, o fato de ter voltado a jogar bem se constitui realmente numa ótima notícia. Se não tivesse se machucado tão seriamente, teria sido, talvez, o nome para o ataque da Seleção na última Copa;

2. o ocaso de um dos maiores craques da história do futebol mundial: Ronaldo. E não falo, aqui, em decadência, não, como muitos possam pensar. Acho que todos os problemas que ele teve durante a carreira começaram com a decisão absurda do time holandês que o contratou aos dezoito, dezenove anos de transformar o jovem franzino e bom de bola num atleta massudo e rompedor. Está certo: teve seus momentos de glória, mas tem pagado um alto preço por isso: aos trinta e três anos, não consegue manter o peso porque seu organismo foi profundamente modificado lá atrás, ou seja, o corpo de Ronaldo é mais velho e mais lento do que ele como atleta e jogador. Mesmo assim, o esforço que ele tem feito para jogar continua fazendo do grande craque um grande homem que, como tal, tem seus defeitos, mas está seguramente na galeria dos imortais;

3. os inúmeros erros de arbitragem, que continuam atazanando todas as equipes. Ainda penso que a solução para isso seja a profissionalização dos árbitros, de modo a que possam ter um preparo à altura da velocidade dos jogos atualmente e da capacidade de improvisação dos jogadores. Alguma tecnologia até pode ser pensada como auxiliar, mas estou de acordo com a FIFA: futebol é paixão e o erro faz parte dessa paixão. O que não se pode é concordar passivamente com o aumento de erros de arbitragem – alguma coisa tem de ser feita com urgência;

Enfim, depois de um longo e estafante Campeonato, temos um campeão de respeito – o Fluminense – e a certeza de que a fórmula atual está correta e deve continuar. Para o bem o futebol brasileiro.