segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

ADEUS, FENÔMENO!

Enquanto via brilhar na seleção sub-20 o futebol de Neymar, 19 anos, nos campos peruanos, aqui no Brasil um dos maiores jogadores de todos os tempos tomava a decisão de parar de jogar futebol: Ronaldo, o fenômeno, aos 35 anos de vida mais 20 de futebol.

Com a idade que Neymar tem agora, Ronaldo virou ídolo do Cruzeiro e de quem gosta de futebol, com esse físico:



Vendido ao PSV, da Holanda, o rapaz franzino de futebol refinado foi submetido a um tratamento rigoroso para ganhar massa muscular, porque, na concepção europeia, jogador tem de ser atleta, tem de ser forte, não só para suportar os pontapés e o jogo de corpo de seus duros zagueiros pernas-de-pau, mas também o frio inverno. Como se jogador fosse urso e hibernasse.

A partir daí, Ronaldo ganhou, sim, força física e seu futebol levou-o aos píncaros da glória nos campos e ao sofrimento fora dele. Com maior massa muscular, seus joelhos sofreram. E contusões gravíssimas só não o fizeram abandonar precocemente os campos, porque o fenômeno não era apenas um dos melhores jogadores de futebol de todos os tempos, mas também um exemplo de perseverança e força de vontade.



Recuperado de operações complexas, através de longos e dolorosos tratamentos de fisioterapia, seu organismo, no entanto, começou pouco a pouco a não mais reagir a tratamentos de emagrecimento e ele, nos últimos anos, engordou e engordou e engordou.

Seu metabolismo fora definitivamente modificado. E, aos trinta e quatro anos, quando ainda havia muito futebol a ser jogado, diante do atual grau de preparação física, Ronaldo chegou ao Corinthians como uma espécie de refúgio derradeiro para a sua já famosa força de vontade. O carinho da torcida e o fato de estar no Brasil poderiam fazê-lo voltar à alegria do futebol, com um corpo menos rotundo. Mas, inúteis os seus esforços: ele não conseguiria baixar dos quase cem quilos que o tornavam quase um lutador de sumô, entre seus companheiros esguios e ágeis.

O fenômeno futebolístico continuava intacto: o raciocínio, a habilidade, a colocação, o passe, o chute. Mas cada corrida, cada movimento, cada deslocamento e cada jogada deviam torna-se, para ele, um tormento de dor física e moral. Física porque, segundo suas próprias palavras, o corpo não acompanhava mais o raciocínio; moral, porque assumia para si, como homem e com a história de vida que tem, a responsabilidade pelas vitórias e derrotas do time.


Mas, a torcida corintiana, estúpida e estupidificada pela ideia de que seu time tem de ganhar a qualquer custo, impunha ao homem Ronaldo a humilhação e a responsabilidade pelos fracassos, principalmente pela precoce eliminação da Copa Libertadores da América, desse ano, diante do fraco e apenas esforçado Tolima.

Não. Ronaldo não tem a mínima responsabilidade pela humilhante eliminação desse time burocrático e sem inventividade que é o Corinthians Paulista de hoje. Tem razoáveis e até bons jogadores, mas não é uma equipe brilhante: parece não ter “liga” entre as peças, não tem brilho. Qualquer treinador, de qualquer equipe, por mais fraca que seja, se tiver dois neurônios, arma seu time para não deixar o Corinthians ganhar. Porque joga um futebol previsível, sem qualquer criatividade. E nenhum centroavante resolve, quando a bola não chega com frequência a seus pés em jogadas que propiciem o gol. Muito de vez em quando, algum jogador corintiano tem um lampejo e consegue uma jogada vertical, de toques rápidos e de chegada à área adversária, muito de vez em quando.

Mas, na entrevista de despedida, Ronaldo, o fenômeno, um dos maiores jogadores de todos os tempos, chorando muito, humildemente pediu desculpas à torcida corintiana, por não haver obtido o sucesso esperado – talvez muito mais por ele do que pela própria torcida.

Não, Ronaldo, você não tem que pedir desculpas. Você não vai deixar de ser o que é só porque meia dúzia de críticos imbecis diziam-no gordo, mas não apenas gordo, gordo no sentido mais pejorativo que se pode dar a um ser humano e porque outras duas dúzias de torcedores ainda mais imbecis e fanatizados o declaram culpado das derrotas de um time que – só eles não vêem – é apenas razoável, talvez até medíocre.

Adeus, Ronaldo!

Você sai dos campos de futebol para entrar para a História (com H maiúsculo) do esporte mundial. Guardaremos de você uma lembrança indelével e a gratidão por gols e jogadas maravilhosas.


Para encerrar: fico torcendo para que o ágil, leve e fantástico Neymar não vá tão cedo para a Europa e, se for, não caia nas mãos criminosas dos mesmos imbecis que mudaram o físico de Ronaldo. Eles não sabem que, no futebol, a arte está acima do físico.

SELEÇÃO SUB-20: O ESPETÁCULO E A TAÇA



Nos primeiros minutos de domingo, 13 de fevereiro de 2011, pude assistir a uma das mais belas e perfeitas partidas de uma seleção brasileira. A Seleção Sub-20, treinada por Ney Franco, na partida final do campeonato sul-americano da categoria, contra a seleção do Uruguai.

Os uruguaios só precisavam do empate, para serem campeões, já que haviam conquistado dez pontos, contra nove dos brasileiros. Parece que entraram de ressaca, pela já garantida classificação para as Olimpíadas – um feito, depois de mais várias décadas de ausência – ou de salto alto, pensando que poderiam até ganhar do Brasil.

No entanto, uma exibição de gala de Neymar (o grande nome da competição, sem dúvida nenhuma) e de Lucas (um jogador também diferenciado) não deixou dúvidas sobre a superioridade técnica de uma seleção que dispõe de alternativas de jogo e da individualidade de jogadores que sabem o que fazer com a bola.

Não é preciso mais elogiar a capacidade técnica de Neymar – 19 anos completados durante a competição – mas, a surpresa do jogo de Lucas maravilhou os espectadores do estádio Monumental, de Arequipa, com três gols maravilhosos.

A seleção sub-20 apanhou muito, durante toda a competição, diante do olhar complacente de árbitros imbecis, que não conseguem tirar de sua cabeça a ideia de que jogadores leves, como Neymar, caem, sim, ao choque mais forte e que nem por isso estão fingindo ou tentando enganar a arbitragem. O que não se admite é que permitam a violência, o jogo estúpido de zagueiros ruins de bola, a tentarem parar na porrada as jogadas refinadas de quem pratica o bom e belo futebol. Neymar foi vítima de perseguição dessa arbitragem desqualificada: levou muitos pontapés, a maioria nem falta foi marcada, e ainda teve vários cartões amarelos por faltas muito menos graves ou por simulações que, realmente, não aconteceram.

O Brasil teve apenas uma derrota: para a fraca seleção argentina, quando perdeu, aos cinco minutos de jogo sua zaga: primeiro, por contusão e, imediatamente depois, por expulsão, num pênalti que, se houve, não justificava expulsão. Enfim, los hermanos árbitros tudo fizeram para tentar obscurecer uma conquista que era óbvia, pela superioridade de nossos moleques. E moleques no melhor sentido da palavra: jogadores hábeis, leves, que gostam de jogar futebol e gostam, acima de tudo, de vencer e dar espetáculo.

Enfim, um jogo que deve ficar na história: três gols de Lucas, dois de Neymar e um de William, para fazer a soma inédita em final de competição como o Sul-americano sub-20 de 6 (seis) a zero, nos esforçados e atônitos uruguaios.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

TORCIDAS SÃO APENAS TORCIDAS, NADA MAIS QUE TORCIDAS




Volto a falar, hoje, do Sport Club Corinthians Paulista. Mais especificamente, de sua torcida, de sua emblemática torcida. Aliás, mais que emblemática, hoje é problemática.

Todo time de futebol sonha ter uma grande torcida. E é a forma certa de dizer: um time tem uma torcida. Não pode uma torcida ter um time de futebol. Ou seja, um time não pertence à torcida, mas é uma sociedade civil, um clube que tem sócios e efetua negócios com os quais sustenta sua folha de pagamentos.

Os torcedores são apenas torcedores, nada mais.

No entanto, a torcida corintiana acha-se dona do time, dona do clube: comparece ao clube, aos treinos, para cobrar atitude dos jogadores; ameaça os atletas e até mesmo a diretoria; depreda o patrimônio do clube, com atos de vandalismo. Trata o clube como se ela, a torcida, que só em parte alimenta o clube com sua presença nos jogos, fosse a dona absoluta do clube.

Essa atitude não é, claro, privilégio dos corintianos: tem-se espalhado por todo o País, e praticamente todo grande time sofre as mesmas pressões. Tomo a torcida corintiana como exemplo, por ser a mais fanática, além de ser uma das maiores do Brasil.

Como surgiu esse fanatismo?

Há uma fato emblemático: em 1976, o Corinthians devia disputar uma semifinal do Campeonato Brasileiro (note: era uma semifinal) com o Fluminense no Maracanã, no Rio de Janeiro. Houve um fato extraordinário: 70 mil ingressos foram adquiridos pela torcida corintiana que, literalmente, invadiu a capital fluminense e o estádio, num episódio de deslocamento populacional raramente visto no mundo para um só evento esportivo, até aquela data.

Essa “invasão” serviu para alimentar e atiçar a “mística” da torcida “fiel”, aquela que faz os maiores sacrifícios pelo time. E essa mística só cresceu a partir daí, num processo para o qual contribuíram não apenas os dirigentes corintianos e a própria torcida, mas também a grande mídia, que achou um filão de venda de notícias, de jornais, de revistas. O monstro estava criado e precisava ser continuamente alimentado. E foi o que aconteceu nesses últimos trinta e poucos anos.

A ideia de organização das torcidas em blocos compactos – com indivíduos alucinados e incentivados pelo efeito da coesão e quase anonimato do grupo, indivíduos dispostos a tudo, a matar e a morrer, quando se juntam sob a bandeira de um clube, especialmente a bandeira corintiana, mas não só corintiana, mas também palmeirense, santista, cruzeirense, gremista etc., etc., etc. – espalhou-se por todos os campos, com consequências desastrosas.

Essas torcidas organizadas transformaram-se em hordas de bárbaros, porque fazem de simples torcedores que, na vida comum, são jovens cordatos e de bom comportamento, verdadeiros guerreiros da causa imbecil de morrer ou matar em defesa de uma bandeira, em lides medievais que terminam sempre na barbárie do vandalismo inconsequente e, pior, em batalhas em que já morreram muitos desses jovens.

E são essas torcidas que, fanatizadas, não compreendem que um jogo de futebol é só um jogo de futebol e nada mais. Quando meu time perde, é claro que fico chateado e essa chateação deve durar os noventa minutos da partida. Acabou o jogo, a vida continua. Perde-se hoje para vencer amanhã. Ou depois de amanhã. Ou um dia. Nada, absolutamente nada, justifica a atitude de corintianos e de quaisquer outras torcidas de se tornar donas absolutas do time, de se considerar acima de todas as regras civilizadas da sociedade, para agredir jogadores, para depredar o patrimônio do clube, para sair batendo em adversários ou matando-os, apenas porque usam uma camisa do time adversário.

Toda essa minha diatribe tem uma razão: após perder a vaga na Libertadores para o Tolima (post anterior) os jogadores do Sport Club Corinthians Paulista tiveram sua vida ameaçada por torcedores, seus carros depredados e até o ônibus do clube foi atacado com paus e pedras. Pichações, gritos, ameaças, agressões e até mortes têm sido registrados em todos os lugares, não só Brasil mas em muitos outros países, como manifestações de instintos muito bárbaros de cidadãos que se julgam acima do bem e do mal, acima da lei e do bom senso, só porque torcem fanaticamente por um clube de futebol.

Futebol é uma das grandes invenções humanas, no terreno esportivo. Um jogo que deixa siderado um planeta, pela beleza, pela inventividade e pela tensão que provoca. Mas é só um esporte, um jogo, e nada mais. Nada, absolutamente nada, justifica que alguém mate ou morra por um time de futebol.

E mais: um time possui uma torcida. Não uma torcida – qualquer torcida – possui um time e, por isso, se julga na obrigação de cobrar o que quer que seja, principalmente com violência.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

LIBERTADORES E CORINTHIANS: SÓ DECEPÇÕES!



O Corinthians protagonizou mais uma decepção na Libertadores. Aliás, na pré-Libertadores: jogando muito mal, perdeu para o Tolima, da Colômbia, por dois a zero, ontem, 2 de fevereiro de 2011.

Era uma derrota mais do que prevista. Se eu não tivesse respeito ao time da Zona Leste, teria já publicado antes do jogo a previsão de que isso aconteceria. Porque o time do Corinthians é o tipo do time “engana que eu gosto”. Não tem jogado nada. Seu futebol é burocrático e previsível. Ninguém arrisca nada, até o Dentinho parece que perdeu a ousadia, o brilho. Todo mundo faz o chamado “arroz com feijão”.

O Corinthians é um time “relâmpago”, ou seja, tem raros e rápidos brilhos, o que ilude o torcedor, pensando que esses momentos são suficientes para levar o time à conquista de títulos. Ilude o observador o toque de bola que não leva a nada.

Quando joga o Danilo – que é, também, um jogador que tem repentinos brilhos de craque, mas se acomoda ao jogo na maior parte do tempo – há alguns poucos momentos de criatividade no meio do campo. Mas também são raros.

A defesa é uma lástima: joga fazendo a linha burra, tentando provocar impedimentos, o que deixa o adversário totalmente à vontade para chegar na “cara do gol”. Só não toma mais gols porque o índice de aproveitamento dos atacantes do times que o Corinthians tem enfrentado ultimamente é lamentável. No jogo de ontem, o Tolima podia ter aplicado já uma goleada histórica no primeiro tempo da partida.

Jorge Henrique – que eu achava que era o craque do time – anda mais perdido que cego em tiroteio. Parece que se esqueceu de como se joga futebol e afunda na mediocridade dos demais jogadores.

Roberto Carlos. Está aí um cara que faz o que está além de sua idade. Mas é só. E não se pode exigir mais de alguém como ele. Não precisa provar o que sabe fazer, mas sua posição – lateral – não é a posição de jogador que tenha de resolver uma partida ou arrumar o time em campo, como a velha posição do camisa 10, do meia habilidoso que toca a bola e abre as defesas adversárias.

E chegamos ao Ronaldo. Acho que é um desrespeito à história desse jogador colocá-lo em campo nas condições físicas em que se encontra. Quando vemos o Corinthians e o adversário – seja ele quem for – perfilados para ouvir o hino, vemos 21 jogadores de futebol e um lutador de sumô entre eles. Ronaldo não tem mais condições de perder peso. Seu organismo – depois de praticamente duas décadas de modificações fisiológicas mais o tempo parado por conta de contusões – resiste a qualquer dieta para diminuição massa de gordura que, infelizmente, arredonda definitivamente sua silhueta. Uma pena. Porque, o gênio ainda está lá, dentro da lâmpada obesa e redonda, parece que definitivamente apagada.

Enfim, o time do Corinthians é o que é: um arremedo de time, sem alma, sem padrão de jogo, preguiçoso e burocrático. O treinador – Tite – pode não ser um gênio, mas é uma pessoa que tem bons conhecimentos de futebol, mas não vai, nunca, conseguir dar um jeito num time que se acomodou, que não tem “liga”, que não corre e, o que é pior, que se acha bom e por isso pensa que pode resolver uma partida a qualquer momento, o que nem sempre acontece: não há mais, no futebol, time inocente. Todo mundo sabe como eles jogam e, sem o brilho individual dentro de um coletivo forte, as vitórias são raras.

Uma emenda final: que a torcida exija, sim, que se busquem soluções para um time da tradição da “fiel”, da “nação” corintiana, mas não pode, absolutamente, fazer isso com violência e depredação.

Serviço:

DEPORTES TOLIMA 2X0 SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA
Data: 02/02/2011 - 22h00
Local: Manuel Murillo Toro
Árbitro: Roberto Silvera
Auxiliares: Mauricio Espinoza e Carlos Changala


Deportes Tolima
Técnico: Hernán Torres
12. Antony Silva
6. Gerardo Vallejo
2. Julián Hurtado
5. Yair Arrechea
24. Félix Noguera
21. Diego Chará
8. Gustavo Bolivar
13. Rafael Castillo (saiu)
16. Santoya (entrou)
10. Elkin Murillo (saiu)
18. Piedrahita (entrou)
25. John Hurtado
19. Wilder Medina (saiu)
7. Closa (entrou)

Corinthians
Técnico: Tite

1. Júlio César
2. Alessandro
3. Chicão
4. Leandro Castan
16. Fábio Santos (saiu)
19. Edno (entrou)
5. Ralf
8. Jucilei
7. Paulinho (saiu)
20. Danilo (entrou)
23. Jorge Henrique
11. Dentinho (saiu)
18. Ramirez (entrou e foi expulso)
9. Ronaldo