quinta-feira, 29 de setembro de 2011

BRASIL E ARGENTINA: DOIS JOGOS, DUAS HISTÓRIAS

 




Brasil e Argentina duelaram em dois jogos, por uma taça denominada SUPERCLÁSSICO DA AMÉRICA, ou algo parecido. O que não tem nenhuma importância.


O que importa, mesmo, é como se comportou a Seleção Brasileira.


No primeiro jogo, há quinze dias, em Buenos Aires, foi uma das piores apresentações das duas seleções, talvez de toda a história de confrontos entre os dois países. Um jogo amarrado, feio, de muitas faltas, em prevaleceram as duas defesas. Ambas as seleções se arrastaram em campo, sem criatividade, sem futebol. Nada se salvou. E o zero a zero do placar corresponde à nota de Brasil e Argentina.


Ontem, 28 de setembro de 2011, no entanto, em jogo realizado em Belém do Pará, a história foi um pouco diferente. Pelo menos, para o Brasil.


Ah, sim, havia uma regra para esses dois jogos: convocação somente de jogadores que atuam em seus países. Mesmo assim, a Argentina encontrou uma brecha para convocar e escalar jogadores que atuam no Brasil. Também isso não importa muito.


O que importou, mesmo, foi a escalação da Seleção Brasileira, com algumas novidades em relação ao jogo anterior e com uma nova postura em campo.


O senhor Mano Menezes, finalmente, se rendeu a um fato óbvio: se quer renovar, que se coloquem em campo jogadores de futuro e não apenas jogadores do passado. Tudo bem que haja uma mescla, mas não se pode renovar sem dar oportunidade a novos talentos. E isso tem de ser feito com o jogador tendo oportunidade de começar jogando e jogar a maior parte do tempo.


Assim, finalmente a dupla que infernizou as defesas sul-americanas no Sub-20, há alguns meses – Neymar e Lucas – voltou a se encontrar e a mostrar que em seus pés, ainda muito jovens, pode estar o futuro do time de Mano. E com uma revelação surpreendente: o lateral esquerdo do Botafogo, Bruno Cortês.


Se Ronaldinho Gaúcho (ou, ainda, o sempre lembrado Kaká, que tem retomado o bom futebol, na Europa) pode ainda dar boas contribuições à Seleção, será, no entanto, com a preparação desses jovens valores que iremos contar na Copa de 2014. Com eles e mais alguns que possam surgir até lá, teremos a criatividade e a molecagem perdidas nesses tempos de futebol de forte marcação, em que têm prevalecido os esquemas rígidos sobre a criatividade.


Os dois a zero foram justamente marcados pelos dois jovens talentos: o de Lucas, uma pintura de gol, em uma arrancada sensacional, desde a defesa brasileira, até o chute certeiro contra a baliza argentina. O de Neymar, numa jogada iniciada por Cortês, o cruzamento da esquerda que pegou o santista bem posicionado na pequena área argentina, para tocar para o gol.


Esperemos que, coerentemente, o senhor Mano Menezes continue a dar oportunidade aos melhores e mais criativos jogadores e não apenas a volantes que apenas cumprem a missão de desarmar e nada criam de novo. Porque, afinal, um jogo se ganha (ou se perde) é no meio de campo.

Serviço:

BRASIL 2x0 ARGENTINA

Brasil: Jefferson, Danilo, Dedé, Réver, Bruno Cortês (Kléber), Ralf, Rômulo, Lucas (Diego Souza), Ronaldinho Gaúcho, Neymar e Borges (Fred).
Técnico: Mano Menezes

Argentina: Orion, Cellay, Dominguez, Desábato, Pillud (Mouche), Augusto Fernández, Canteros (Bolatti), Guiñazu, Montillo, Papa e Vietri.
Técnico: Alejandro Sabella

Juiz: Jorge Larrionda (Uruguai)

Gols: Lucas e Neymar, aos 8 e aos 29 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Desábato e Vietri

Local: Estádio Mangueirão, Belém, Pará.

Público: 43.000 pagantes.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

AMISTOSO INTERNACIONAL: BRASIL E GANA



(Comemoração do gol marcado por Leandro Damião)



A Seleção Brasileira não jogou bem. Como tem sido até agora. Não apresentou quase nenhuma evolução do futebol medíocre da era Mano Menezes.


Destaque-se, no entanto, a presença de Ronaldinho Gaúcho.


Confesso que recebi sua convocação com desconfiança. A desconfiança mais no técnico do que no jogador, confesso. Achei que Mano o convocara como uma espécie de tábua de salvação para a ruindade do jogo brasileiro. Mas ele, o Gaúcho, mostrou que ainda é um grande jogador e que pode ser importante, agora que está mais velho, agora que ganhou experiência, à Seleção, talvez até para a Copa de 2014.


O Gaúcho deu à Seleção um certo brilho de criatividade que estava faltando, ao chamar para si a responsabilidade de tabelar, driblar, lançar e cobrar faltas. Liberou Neymar, por exemplo, para praticar melhor o seu futebol e os dois se entenderam bem, como se jogassem juntos há muito tempo.


Então, esse amistoso, vencido com um gol de Leandro Damião – outra boa promessa para a falta de gols do Brasil – serviu apenas para isto: para reapresentar à camisa amarela um jogador que parecia definitivamente decadente, mas que ressurge como, não o salvador da Seleção, mas como o elemento capaz de fazer jogar um grupo de talento que anda meio perdido.


Sobre Gana: quando tem a posse de bola, toca bem, realiza belas jogadas, joga futebol, enfim. Bom de ver. Quando precisa se defender, só sabe dar pancada. Um horror do começo ao fim. Teve um jogador expulso no primeiro tempo e poderia o juiz ter expulsado outros, porque os jogadores africanos abusam da força física, do pontapé e do antijogo.


Sobre Mano Menezes: quando Paulo Henrique Ganso saiu machucado, logo no começo do primeiro tempo, fez uma substituição que desmontou um pouco o esquema ofensivo que ele havia delineado, ao colocar em campo o volante Elias que, aliás, fez uma boa partida. O que eu quero dizer é: ele até arma o time com alguma competência, embora não tenha sido muito feliz ultimamente, mas faz substituições medíocres, que não mudam a forma de jogar do time. Não acho que seja o treinador para a Copa de 2014. Para chegar até lá, vai precisar de muito mais do que tem demonstrado até aqui. Minha aposta é que ele fica mais este ano, mas cede lugar, depois, ao Luiz Felipe Scolari.

Serviço:

BRASIL 1X0 GANA

5.9.2011

Brasil:

Julio César, Daniel Alves, Lucio, Thiago Silva e Marcelo; Lucas Leiva, Fernandinho (Hulk) e Paulo Henrique Ganso (Elias); Ronaldinho Gaúcho, Neymar e Leandro Damião (Alexandre Pato).

Técnico: Mano Menezes

GANA:

Adam Kwarasey; Daniel Opare, John Pantsil, Jonathan Mensah e Samuel Inkmoon; Emmanuel Agyemang-Badu (Adomah), Derek Boateng (Lee Addy), Kwadwo Asamoah (Anthony Annan) e Sulley Muntari (Mohammed Rabiu); Jordan Ayew (Dominik Adiyah) e Isaac Vorsah

Técnico: Goran Stevanovic

Gols: Leandro Damião, aos 44 minutos do primeiro tempo.

Cartões amarelos: Elias, Fernandinho (Brasil); Addy, Opare, Boateng, Mensah, Inkmoon (Gana)

Cartões vermelhos: Opare (Gana)

Árbitro: Mike Dean (ING)

Auxiliares: Simon Long (ING) e Adam Watts (ING)

Local: Estádio Craven Cottage Stadium, em Londres (ING)