terça-feira, 28 de agosto de 2012

UNS PITACOS GERAIS E MINHA OPINIÃO SOBRE O CAMPEÃO DA LIBERTADORES






Retomo minhas considerações - amadoras e totalmente despretensiosas - sobre futebol, depois de um longo e produtivo inverno (tive que me dedicar a outros escritos...), para comentar rapidamente sobre alguns fatos importantes que eu perdi nesse tempo todo. E depois, falar do Corinthians.

Não acreditei que o Corinthians ganharia a Libertadores. Ele ganhou. Não acreditei que o  Chelsea e Bayern de Munique fizessem a final da Champions League. Eles derrotaram o Real e o Barcelona e o Chelsea acabou campeão. Não acreditei que o Mano Menezes conseguisse um bom time para as Olimpíadas... e aí acertei! Ele não conseguiu.

Enfim, o futebol é mesmo um esporte que não dá sopa para a monotonia. Ninguém ganha na véspera - nem o poderoso Barça! Ninguém perde antes da hora, nem o limitado Corinthians.

Sim, o Corinthians! Porque é dele que vou falar um pouco mais.

O Corinthians era e continua sendo um time limitado. Podem jogar pedras, se quiserem, mas leiam meus argumentos, primeiro.

Um grande time, na minha modesta opinião, precisa ter: dois craques fora de série (ou, pelo menos um!) e um grupo de excelentes jogadores em termos competitivos, ou seja, alguns muito próximos da categoria de craques e aqueles que "carregam o piano", jogam para os outros renderem. E um banco próximo do que se possa chamar de excelência, em futebol, reservas que entrem em campo para mudar o panorama da partida, como diziam os velhos locutores de rádio.

(A exceção é o Barcelona - sempre ele! - que tem uns três quatro gênios, aí incluindo o Messi e os demais, se não são gênios, são craques - por isso, o Barça é o que é. Porque além de gênios e craques, os jogadores do Barça têm aquilo que chamo de inteligência para o futebol, coisa rara, mas necessária. E, mesmo assim, dá vexame... muito de vez em quando, mas dá!)

Pois, bem: o Corinthians não tem nenhum craque fora de série (Paulinho e Ralf são muito bons, mas não são craques); não tem nenhum jogador excepcional; não tem reservas que possam entrar e mudar o esquema de jogo, alterar o rumo de uma partida.

O que levou o Corinthians a ser campeão da Libertadores? E a ser, até mesmo, temido por outras torcidas?

A resposta é simples: o Corinthians tem um time espartano.

O Tite conseguiu fazer dos onze jogadores que entram em campo onze guerreiros espartanos, que se defendem com unhas e dentes e mais alguma coisa, e atacam com a fúria dos antigos guerreiros gregos. Defende-se com nove e ataca com seis, sete... Todos parecem ter sangue nos olhos... por algum tempo. Porque o esquema - muito bem montado - funciona só durante os primeiros minutos da partida, para atemorizar o adversário, já que ninguém consegue jogar assim mais do que vinte ou trinta minutos...

O problema é que, se essa tática não leva a dois ou três gols de vantagem no início do primeiro tempo - e isso está acontecendo várias vezes: o Corinthians tem-se notabilizado por criar muitas situações de gol e fazer poucos - o adversário, se tiver categoria, consegue equilibrar e até virar o jogo, se está perdendo apenas por um gol de diferença.

Isso aconteceu no domingo passado (26), quando jogou com o São Paulo e perdeu por 2 a 1. De virada. Depois de um começo avassalador. Em mais ou menos 20 minutos, o São Paulo deu de presente um gol (aos cinco minutos!), não viu a cor da bola, era um time totalmente perdido. Quando arrefeceu o ritmo espartano, o São Paulo, aos poucos, se acertou, tomou conta da partida e virou o jogo com dois belos gols de Luís Fabiano.

Cito o Luís Fabiano, centroavante de ofício, porque esta é outra falha do time do Corinthians: não tem um centroavante. As defesas temem o matador e passam esse temor para todo o time, que acaba jogando mais cautelosamente, porque sabem que não podem vacilar. No entanto, quando um time joga sem centroavante e, pior, perde muitos gols, a defesa ganha confiança e o time deixa de temer o adversário e acaba partindo para cima.

Portanto, o Corinthians, com o elenco atual, pode até ganhar o título mundial no Japão, no final do ano, mas é e continuará sendo um time limitado. Um time que se impõe pela força física, pela agressividade tática inicial, por jogar como guerreiros espartanos. Nada mais.