terça-feira, 16 de outubro de 2012

A SELEÇÃO BRASILEIRA E O FUTEBOL ESPANHOL






Sempre achei que Mano Menezes não é o técnico ideal para a Seleção Brasileiro. E seu trabalho, até agora, tinha sido medíocre: um time sem padrão de jogo, com mudanças a cada partida; um time lento e sem criatividade; enfim, uma Seleção que não empolgava nem o Galvão Bueno.

Continua achando que é ele, Mano, não é o ideal. Mas, já que está lá, a gente sempre imagina que uma hora a coisa possa melhorar.

E parece que realmente a Seleção achou um rumo. Nos dois últimos jogos, independentemente dos resultados - seis a zero contra o medíocre Iraque (12/10) e quatro a zero sobre a bem treinada equipe japonesa (hoje, 16/10) - o que se viu em campo foi um time mais criativo, com um futebol mais compacto, valorizando a posse de bola e, principalmente, fazendo gols.

Ainda não é o time ideal. Mas está no caminho. Parece que o esquema semelhante ao da Seleção da Espanha - sem um centroavante fixo - funciona bem, quando há dois volantes que sabem jogar bola e atacam com perigo, caso de Ramires e Paulinho. Então, o trio ofensivo, no caso Kaká, Hulk e Neymar, tocou a bola com precisão, abrindo os espaços e deixando as defesas adversárias sem saber bem a quem marcar.

Lembro-me da Seleção de 70, quando Zagalo aboliu os pontas e montou um time altamente ofensivo, com um falso centroavante (Tostão). Até humoristas repetiam o bordão "bota ponta, Zagalo", mas o esquema funcionou porque os jogadores selecionados para o meio de campo e ataque tinham grande capacidade técnica e inteligência: Pelé, Gérson, Rivelino, Jairzinho etc. E mais: treinaram exaustivamente, até que todos soubessem o que fazer em campo. O exemplo mais claro disso foi o último gol contra a Itália, quando Pelé, da entrada da área, lança a bola no vazio na ponta direita, sem olhar e, de repente, o Brasil todo explode com o gol de Carlos Alberto que levou angustiantes segundos para aparecer no vídeo.

A atual Seleção, ao adotar mais uma vez esse esquema, que muitos acham que foi inventado pelo Barcelona e pela Seleção Espanhola, recoloca um pouco de esperança na recuperação do bom futebol.

Precisa encontrar os jogadores certos e, se houver tempo e jogos suficientes para a assimilação desse esquema, aperfeiçoar dois pontos importantes: a marcação, que ainda está frouxa, e a saída de bola, sem chutões inúteis para a frente.

Enfim, acho que Mano Menezes ganhou sobrevida à frente da Seleção Nacional. Só esperemos que não faça, a partir de agora, mais nenhuma bobagem e, definido o padrão de jogo, acerte logo as peças, para que a torcida brasileira reencontre o prazer de ver jogar sua Seleção.

E que a crítica reconheça que o padrão e o esquema são, praticamente, os de 70: a Espanha e o Barcelona apenas o aperfeiçoaram. E nós precisamos retomá-los, melhorando o que os espanhóis fizeram, com a criatividade do jogador brasileiro, principalmente de Neymar, já que o Messi vai gastar o seu futebol pela Argentina, e não pela Espanha. Felizmente.