domingo, 16 de dezembro de 2012

MUNDIAL DE CLUBES: VENCEU A RETRANCA, PERDEU A RETRANCA




Técnicos perdem jogos. Técnicos ganham jogos.

A final do Mundial de Clubes, no Japão, neste domingo, 16 de dezembro de 2012, tem dois personagens emblemáticos:  Rafael Benítez, o contestado técnico do Chelsea, e Tite, o estrategista do Corinthians.

Rafael Benítez. Os torcedores do Chelsea não gostam dele. E podem ter razão. Quando assisti à partida do Chelsea com o Monterrey, na semifinal do Mundial, fiquei impressionado com o toque de bola e a leveza do time. Chegava fácil à defesa mexicana e só não fez cinco ou seis, por azar, má pontaria, defesas do goleiro, enfim, coisas do futebol. Contra esse Chelsea, pensei, o Corinthians terá pouca chance. No entanto, não foi esse o time que entrou para jogar a final. Ele trancou o time, com a saída do Oscar, o jovem e talentoso meia brasileiro, e o recuo de David Luíz de novo para zaga. Certo, entrou Ramires, mas o esquema era nitidamente defensivo. Seria um jogo de defesa contra defesa. Mesmo assim, o Chelsea até jogou melhor o primeiro tempo, perdeu gols por defesas extraordinárias do goleiro corintiano. Mas não era o time criativo, solto, veloz e perigoso de antes. Não teve aquele mesmo ímpeto. Enfim, deu no que deu.

Tite. O treinador corintiano é um pragmático. Soube armar o time aproveitando ao máximo a característica de cada jogador. Não tem um fora-de-série, aquele jogador que desequilibra e preocupa o adversário, mas conta com um bom elenco, encabeçado por um volante que sabe atacar, Paulinho, e dois jogadores muito inteligentes, Émerson e Danilo. Quando digo que Tite é pragmático, uso o adjetivo em lugar de "retranqueiro", que é quase isso, ou é isso o que ele é. No seu Corinthians não há espaço para jogador que não se desdobre em, primeiro, marcar e, só depois, atacar. O Corinthians é o campeão do 1x0. Toma pouquíssimos gols e também faz poucos gols. Porque sabe, como poucos, controlar a partida, mesmo quando aparentement acuado. Tite montou um time de guerreiros com esquema bem definido de atuação de cada um. Não há muito espaço para improviso. E os gols quase sempre nascem de jogadas ensaiadas, repetidas à exaustão. E, quando faz um gol, sabe segurar o adversário.

A final do Mundial de Clubes só teve uma surpresa (que não chega a ser uma grande surpresa): a excelente atuação do goleiro Cássio. Que, nos momentos decisivos, segurou os poucos momentos de ímpeto do Chelsea. Sem dúvida, o melhor jogador da partida.

Ao final, venceu a retranca do Corinthians - que é sua vocação e seu jeito de jogar, sem nenhuma novidade tática ou técnica - contra a retranca mal ajambrada de um time que se apresentou com um jeito na semifinal e não teve coragem - coisa do Benítez - para enfrentar o Corinthians do mesmo modo como enfrentou o Monterrey. Por isso, ganhou o primeiro, com o seu jeito de sempre - com um gol chorado, mas trabalhado - e perdeu o segundo, por falta de ousadia: quando o garoto Oscar entrou, já não podia fazer mais nada.

O Corinthians não é um grande time, mas é, sim, um grande campeão.

Parabéns ao Tite, parabéns aos jogadores, parabéns à torcida que enfrentou as longas horas de viagem e o frio do Japão, para se ver recompensada, se não por dois grandes jogos, mas pelo menos por duas vitórias consagradoras, ambas por 1x0, como sempre.

Serviço:

CORINTHIANS 1 X 0 CHELSEA

Gol: Guerreiro, de cabeça, aos 23 minutos do segundo tempo.

Local: Yokohama, Japão (Nissam Stadium)

16.12.2012

Juíz: Cuneyt Cakir

Corinthians:

Cássio, Alessandro, Chicão, Paulo André, Fábio Santos, Ralf, Paulinho, Danilo, Jorge Henrique, Emerson (Wallace), Guerreiro (Martínez). Técnico: Tite.

Chelsea:

Cech, Invanovic (Azpilicueta), Cahill, David Luiz, Ashley Cole, Lampard, Ramires, Moses (Oscar), Mata, Hazard ( Marín), Fernando Torres. Técnico: Rafael Benítez.

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