quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

FUTEBOL É ARTE, MENOS PARA A FEDERAÇÃO PAULISTA







Gosto do futebol bem jogado, claro. E quem não gosta?

De times que se enfrentam de igual para igual. Que lutam, que se esforçam.

De jogadores que fazem jogadas bonitas e gols idem. Com firulas ou sem firulas. Mas jogos bem jogados.

Não é o que pensa a Federação Paulista de Futebol.

Não sei se é mania de grandeza de paulista, mas tudo é muito exagerado. Honestamente, num Estado como São Paulo, cabem vinte grandes times?

Um campeonato estadual com vinte times, para mim, é absoluto exagero. E ainda mais com uma fórmula absurda de todos contra todos, num jogo só! Ou seja, se o time A perde para o B, não tem chance de recuperar o ponto perdido. Tem que ir em frente. E isso acontece principalmente com times grandes que estão disputando, por exemplo, a Libertadores e acabam jogando com o time reserva ou com os famosos mistos. O que rebaixa ainda mais a qualidade do futebol.

Então, fica assim o campeonato paulista: dezesseis times pequenos, muitos deles não jogariam nem na várzea, de tão ruins, contra os quatro grandes, São Paulo, Corinthians, Palmeiras e Santos. Como é um jogo só, esses times pequenos jogam o jogo de sua vida: ou se trancam, num ferrolho de doer, ou partem para a pancadaria ou fazem as duas coisas, o que é o mais comum, sob o olhar complacente de juízes que acham que futebol é coisa de macho e que tem que ter porrada.

Quando jogam entre si, esses pequenos também se matam, porque jogam não para ganhar o campeonato (muito poucos teriam condição para isso), mas para não cair.

Então, o campeonato paulista não é uma competição em que vence o melhor: é uma guerra para ver quem não cai para a segunda divisão.

Consequência: jogos ruins, em sua absoluta maioria.

O campeonato paulista, ma minha modesta opinião, deveria ter no máximo doze clubes. E uma segunda divisão mais forte, mais prestigiada. Ao final, cairiam dois times e subiriam dois.

O nível da competição subiria. Os jogos seriam disputados em turno e returno. O que movimentaria muito mais as torcidas, principalmente as do interior, que teriam possibilidade de ver todos os times da capital e as torcidas da capital teriam oportunidade de conhecer bons times do interior.

Além disso, com uma competição mais acirrada, os times do interior que jogassem a primeira divisão teriam que se reforçar. E esse reforço implicaria duas possibilidades, ambas bastante simpáticas: abriria mercado para craques mais velhos (dois ou três, em cada time estaria de bom tamanho) e procuraria revelar bons jogadores da região, o que não tem acontecido. Principalmente bons jogadores de uma segunda divisão (e talvez até terceira) mais forte e mais disputada.

Por que craques mais velhos? Porque dariam mais estabilidade aos times e, principalmente, funcionariam como exemplo e lição para os mais jovens. Nada melhor do jogar com quem sabe, para aprender a jogar melhor.

Enfim, está aí a pior fórmula de campeonato que eu já vi. Repetida mais uma vez. Para tristeza das torcidas , que são obrigadas a assistir a uma sucessão de jogos ruins, para classificar oito finalistas que, em duas chaves de quatro, vão levar a disputa da final entre os dois melhores - quase sempre os mesmos times da capital, sem nenhuma surpresa. 

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